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Luiz Carlos Merten

20 Setembro 2011 | 19h26

Assisti ontem a ‘Uma Professora Muito Maluquinha’ e, na sequência, entrevistei Paola Oliveira, que faz o papel, e César Rodrigues e André Luís Pinto, que co-assinam a direção. Achei o filme simpático, encantador e ainda tem aquele desfecho que afirma o negro amor de rendas brancas, para utilizar a expressão cara a Carlos Drummond de Andrade. E não é que a revanche de ‘O Padre e a Moça’ veio via Ziraldo, num infantil da Diler? Aliás, não sei bem se ‘A Professora’ é mesmo um infantil. Há algo de ‘O Pequeno Nicolau’, as crianças estão em cena, o relato compartilha sua visão, seu humor, mas o tom tem um quê de nostalgia que talvez torne o filme mais atraente para adultos. É bem feito, sucinto e pode até parecer viadagem mas há tempos que não via figurinos tão bonitos nos filmes brasileiros. Os modelitos anos 1940 que Paola usa realçam sua beauté e ela, na realidade, consegue ser ainda mais bela (e charmosa). Parece uma bonequinha, uma patricinha, mas é subversiva daqiuela ordem. Conversei com Paola sobre cinema, TV – de ‘Belíssima’ a ‘Insensato Coração’ – e eu ainmda tive um surto ‘Contigo’ e bisbilhotei da vida íntima da estrela. Ela me disse que está casada com Joaquim Lopes, que faz o Pedro Beto, mas contou que a história não começou a rolar no set, em São João d’El Rei, e sim, seis meses depois, quando se reencontraram no Rio. As voltas que o mundo dá. ‘Uma Professora Muito Maluquinha’ estreia em 7 de outubro e Paola será a terceira professorinha a ocupar as telas, em cadeia. Depois de Cameron Diaz em ‘Professora sem Classe’, tivemos Julia Roberts em ‘Larry Crowne’, de Tom Hanks. Cameron não aguenta mais seus alunos e só pensa em dar um golpe, casando-se com marido rico para dar bye-bye a todos. Julia segue o caminho inverso e, logo na abertura de ‘Larry Crowne’, mesmo passando a ideia de que também quer se livrar daquela gente toda, faz a pergunta decisiva. Será que sua classe de oratória vai fazer diferença para um aluno que seja? Vai – e justamente para Tom Hanks, que não se pode dizer que volta à escola porque ele nunca foi, antes. O mais curioso, e nisso os dois filmes são gêmeos, é que Cameron faz de tudo para levantar recursos para uma operação de seios, porque ela acha que tem pouco busto e sem fartura não haverá chance de conquistar um marido, muito menos rico. A visão fecha com a do marido de Julia, que, quando briga com ela, a chama de tábua e diz que sempre gostou de mulheres peitudas, o que a Erin Brockovich não é, em definitivo. Não é interessante que duas das mais famosas estrelas de Hollywood tirem sarro do próprio perfil? Paola, aleluia!, não tem do que reclamar. Tem tudo em cima, é 10. E mesmo tendo rido com ‘Professora sem Classe’ e achado ‘Larry Crowne’ simpático, fechei com ‘Uma Professora Muito Maluquinha’ e não abro. A grande surpresa para mim foi…. Chico Anísio. Ia até pesquisar para ver em que filme recente o achei bem. É absolutamente gratuito, e horrível, eu sei, mas nunca tive muita paciência com Chico, suas ex-mulheres, os casamentos e a insatisfação com o humor dos outros, que ele sempre me passou. Percebo quanto fui injusto e me penitencio. Chico é maravilhoso como o bispo. Ponto a mais para a professora ‘Maluquinha’.