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Luiz Carlos Merten

06 Fevereiro 2010 | 09h19

BELO HORIZONTE – Daqui a pouco, o motorista passa no hotel e leva a gente para o aeroporto de Confins. Ciao, Minas. Acrescentei o post anterior, enorme, na expectativa de que algumas pessoas – muitas! – ficassem com vontade conhecer o Topo do mundo e a capelinha de Nossa Senhora do Ó, relíquia mineira e tesouro da humanidade. O jantar de ontem foi delicioso. Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna nos levaram a um restaurante italiano no bairro Sagrado Família – Osteria? Oratório? -, um lugar muito simples por fora, mas que por dentro é um luxo. E a comida? Deliciosa! Delícia também foi a prosa. Fernanda e Rodolfo são atores do Galpão e participaram do filme de Eduardo Coutinho com o grupo mineiro de teatro. Adoraram a experiência. Ouvi as histórias de bastidores e me bateu uma vontade danada de correr a rever ‘Moscou’, até porque, com todas as qualidades que possa ter, me parece um Coutinho falho. Em todos os encontros – falo em todos, mas foram só dois -, Coutinho me passava um sentimento de dúvida como nunca senti em relação a seu trabalho. Ele cortou o Rodolfo do filme, como cortou outros atores do grupo. Fernanda, pelo contrário, resplandece. É uma atriz talentosa, com formação de bailarina, sobrinha do lendário Klauss Vianna, e uma mulher muito bonita. Esse Rodolfo não é mole! ‘Moscou’ mostra, mesmo que não seja um making of, o processo do Galpão preparando uma montagem de ‘As Três Irmãs’. A peça, e Chekhov, não fazem parte do repertório do grupo e espero não criar nenhum constrangimento para ninguém – não me lembro de ter conversado sobre isso com Coutinho -, mas quem ia dirigir a peça dentro do filme era Bia Lessa e, como Enrique Diaz, o nome de Gabriel Villela também foi jogado na mesa. Já que se tratava de uma experiência nova, Enrique foi o escolhido (Gabriel já trabalhara com o grupo). Na hora de dormir, fiquei meio que devaneando. Se fosse outro o diretor de ‘As Três Irmãs’ em ‘Moscou’, o filme teria mudado? E o que teria mudado? Insisto que estou morrendo de vontade de rever ‘Moscou’. De volta a nossos amigos, à tarde, no carro, Rodolfo Vaz nos contara sua experiência como jogador de futebol do Cruzeiro – foi lateral – e a ligação com o clube, que permanece. Seu filho, Lucas, de 12 anos, é bom de bola e também ia seguir carreira no futebol – aonde mais, senão no Cruzeiro? -, mas agora o guri descobriu a street dance e está dividido. Nunca tive desejo de fazer um filme, e continuo não tendo. Minha praia no cinema é outra. Mas, nessas andanças por Minas, tudo vira filme para mim. Este post já teria dado uns três filmes. Quais?