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Problemas, problemas…

Luiz Carlos Merten

03 Fevereiro 2018 | 12h48

Estou aqui à beira de um ataque de nervos. Meu joelho está doendo e o médico diz que eu deveria fazer repouso e operar, mas como, se já tenho tudo programado para embarcar para a Europa no próximo de semana, de carnaval, indo primeiro a Paris, e de lá para Berlim, onde começa na quinta, 15, o festival? Não é só uma questão de dinheiro – passagens, hotéis. O Festival de Berlim deste ano possui uma expressiva seleção de filmes brasileiros, incluindo o de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, O Processo, que estou louco para ver. Tudo isso já seria motivo para me deixar agitado, mas ainda tem a minha velha briga com a tecnologia. Estava redigindo um post imenso sobre dois filmes de Oscar que vi ontem – a cabine de Lady Bird/A Hora de Voar, de Greta Gerwig, e na sequência o libanês O Insulto, de Ziad Doueiri, que está em sessões diárias de pré-estreia, à 1 da tarde (daqui a pouco, portanto) na Reserva Cultural. A máquina, meu Hal-9000, deve se rebelar contra esses post quilométricos, porque quando já estava chegando aos finalmentes a tela se pagou e sumiu tudo. Não me preocupei muito porque em geral o próprio sistema faz uma cópia de garantia, como rascunho. Recarreguei e… Bem – desta vez, não fez. Trabalho perdido, e eu não estou com paciência para recomeçar tudo de novo, pelo menos não agora. Outra hora, talvez. Não colocava muita fé em Lady Bird – mais um indie! -, mas terminei gostando muito da estreia de Greta na direção, embora tenha ouvido de uma coleguinha que achou o filme muito hype. Como é que é? Cada vez que ouço a palavra, tenho de ir pesquisar – sorry, mas como já me disseram no debate em Tiradentes, sou de outra geração. Velho, né? Só que ainda tenho um olhar revigorante para o novo, e até tenho a capacidade de identificar o velho travestido de novo. Acho muito mais hypado – é assim que se diz? – o Três Anúncios para Um Crime, que me parece uma versão piorada dos irmãos Coen, pelos quais vocês sabem que não tenho a maior das simpatias como autores, embora, pelas ‘N’ vezes em que os entrevistei, os considere papos dos mais agradáveis. E eles são divertidos! Enfim, esse post está indo por um caminho completamente diferente, e não estou gostando. O importante, para mim, é que me surpreendi com e gostei de Lady Bird. Saoirse Ronan! Laurie Metcalf! Eram os focos do post perdido. E quanto a O Insulto, talvez seja uma utopia – colaboracionismo no Oriente Médio? Mas eu fiquei muito tocado pela experiência, pelos atores, e uma cena achei genial. Os dois litigiosos – o cristão e o palestino -, cujo processo está levando o Líbano à beira de uma nova guerra, são chamados ao palácio presidencial. Na saída… Vejam. O Insulto é muito bem feito, interpretado. Impactante. Aquela cena é genial, até pela simplicidade. Não me surpreenderia se o filme ganhasse o Oscar de filme estrangeiro, embora torça pelo russo, Sem Amor.