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Primeiros prêmios

Luiz Carlos Merten

30 Abril 2014 | 09h38

RECIFE – Acho que estaria sendo desonesto comigo mesmo se disesse que os júris da primeira premiação do Cine PE, tendo coisas muito melhores para escolher, fizeram sempre as piores (escolhas). Mas a minha premiação, confesso, teria sido muito diferente. Au Revoir, de Milena Tirnes, ganhou os prêmios de filme e direção na Mostra Pernambucana. Sorry, Milena, mas os meus premiados teriam sido Rabutaia e a diretor Brenda Lígia – o filme ficou só com o prêmio da Link Digital, que na mostra competitiva nacional também premiou Linguagem. O curta de Luiz Rosemberg Filho ganhou também o prêmio de aquisição do Canal Brasil, e quem votou em ambos estava mais na minha onda. Conversamos, Evaldo Mocarzel e eu, com o diretor Felipe Arrojos Poroger, de O Filho Pródigo, que achei muito bem feito, mas cuja dramaturgia me pareceu um tanto confusa, ou frágil, e o Felipe me deu uma cópia para ver o fdilme com mais calma. Os prêmios de melhor atriz e ator para Georgette Fadel e Danilo Grangheia, de qualquer maneira, foram merecidos, e Georgette também está no curta Cicatrizes, do Evaldo. Foi por isso que aproximei os dois – achei que terminariam por se identificar na adoração à grande atriz. O júri de documentários, do qual fazia parte o Evaldo, tinha dois prêmios para atribuir. Deu o prêmio de melhor filme para O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado, e o de direção para o português Joaquim Pinto, que me provocou uma comoção com o seu belíssimo E Agora? Lembra-me. Em absoluto são prêmios equivocados, mas, se era para dividir, eu preferiria ver o português ganhando o Calunga de melhor filme, mesmo reconhecendo que a mise-en-scène pessoal (e autobiográfica) seja a própria essência do projeto. Mas o Jorge chegou a montar uma peça dentro do filme, e isso não me parece negligenciável, mesmo que o prêmio que o filme mais merecia não estivesse disponível. Seria o de montagem para Giba Assis Brasil. Achei demagógica e desnecessária a menção para Corbiniano, de Cezar Maia, alguma coisa como fazer média como o público local. O artista, afinal, é local, mas o curta, que põe muita gente a falar pelo Corbiniano, que ama os silêncios, me pareceu longo demais. Discuto o filme, não o merecimento do artista. Um curta, bem editado, estaria de bom tamanho. A segunda premiação ocorre na sexta à noite, com a homenagem a José Wilker. É a da mostra competitiva internacional de ficção. Ela começou ontem com dois filmes, o argentino Todos Tenemos Un Plan, de Ana Fiterberg, e Mundo Deserto de Almas Negras, de Ruy Veridiano. O filme é o único paulista da mostra e, num regime de cotas, eu diria que a escolha de meu amigo Rodrigo Fonseca – o curador – não foi muito feliz. Volto a falar do filme após o debate, daqui a pouco.