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Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2008 | 23h36

Há tempos não me ocorria isso. Estava no fim de um post (imenso) quando devo ter batido em sei lá que tecla e o texto sumiu. Em resumo, dizia que estou desde sexta em Sampa, mas a Lúcia, minha filha, ficou mais dois dias em Porto Alegre e regressou somente agora à noite. Lúcia me trouxe duas surpresas de Porto. No dia em que fui ver ‘O Menino do Pijama Listrado’ no Arteplex do Shopping Bourbon, havia na vitrine da Livraria Cultura o DVD de um clássico de Ozu, ‘Ervas Flutuantes’. Não sabia que tinha sido lançado – pela Cinemax, cuja sede é em São Paulo -, e imagino que não deva ser difícil conseguir por aqui, mas naquele dia a livraria estava fechada. Lúcia me trouxe o DVD, como presente da mãe dela para mim. O filme é de 1959, remake de outro trabalho do próprio Ozu, lá pelos idos de 1930 e poucos. Trata de arte e artistas e eu vou voltar ao assunto, uma porque amo o Ozu e duas, porque esse é um de seus filmes que prefiro. Ozu morreu em 1963 e teve tempo de fazer apenas mais três filmes depois deste. “Ervas Flutuantes’ o mostra na plenitude do seu estilo, e quando digo isso quero me referir à extrema depuração da obra, um monumento de minimalismo no qual o diretor parece não falar de nada, especificamente, e termina dando conta de tudo – a arte, o homem, a vida -, por meio da história de grupo de teatro que visita pequena cidade e um dos artistas reencontra uma antiga amante, descobrindo que tem um filho ilegítimo. Vou voltar a falar sobre ‘Ervas Flutuantes’, podem crer. O outro presente foi da Lúcia mesmo. Havíamos visto na Fnac o livro ‘1001 Filmes para Ver antes de Morrer’, da Editora Sextante e, embora eu tenha implicado com o título – se é para ver, só pode ser antes de morrer -, não resisto a obras de referência, e aqui são 1001 títulos. Não conheço o editor geral, Steven Jay Schneider, mas a orelha informa que é crítico, historiador e nome respeitado na academia norte-americana, onde leciona em Harvard e Nova York. Dei uma olhada muito por cima – o livro é compacto, deve pesar, sei lá, uns 3 quilos. A capa, muito popular, traz a imagem de Harrison Ford como Indiana Jones, mas só o primeiro da série, ‘Caçadores da Arca Perdida’, integra a seleção. Só como curiosidade, procurei por Visconti. Encontrei verbetes sobre ‘Obsessão’, ‘Sedução da Carne’, ‘Rocco’ e ‘O Leopardo’, mas não sobre ‘Vagas Estrelas da Ursa’, que eu colocaria entre os 101 – não 1001 – filmes que o cinéfilo tem obrigação de ver. Procurei por Ozu. Encontrei ‘Ervas Flutuantes’ e também ‘Era Uma Vez em Tóquio’ e ‘A Rotina Tem Seu Encanto’. Jay Schneider subiu no meu conceito. Vou olhar o livro com mais atenção e volto a comentar com vocês. Considerando-se a qualidade gráfica e o volume, achei o preço camarada, R$ 59 com 20% de desconto, ou seja, menos de R$ 50.

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