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Presente para os cariocas

Luiz Carlos Merten

27 Novembro 2006 | 10h49

Em Brasília, encontrei o Joel Pizzini, que me deu a boa nova – começa no CCBB do Rio, na terça que vem, dia 5, uma retrospectiva completa do John Cassavetes como diretor, mais alguns de seus êxitos como ator (Os Doze Condenados, O Bebê de Rosemary etc). Hoje de manhã, a Lílian, do Filmes do Estação, sem saber do meu encontro com o Joel, ligou para falar da mostra. No Rio, os filmes serão projetados em película, com legendas em português de Portugal, porque os filmes vêm de lá. Joel é o curador. Disse que não conseguiu o CCBB de São Paulo, mas a Lílian ligava justamente para dizer que parte dessa mostra tão importante virá, em fevereiro, para a Cinemateca. Os filmes serão exibidos em DVD, com legendas em espanhol. São Paulo merecia (re)ver a íntegra do Cassavetes. Esse ator e diretor virou cult e é referência para muita gente quando se fala em cinema de autor, em todo o mundo. Na França, Gérard Depardieu assumiu, com a empresa do Marin Karmitz, a tarefa do restauro da obra ‘cassavetesiana’. John teve uma rápida passagem por Hollywood, como diretor, no começo dos anos 60, mas o miolo importante de sua obra foi feito à margem dos estúdios. No cinemão, ele foi, sobretudo, o ator, que fez bons e maus filmes, porque estava mais interessado em ganhar dinheiro para financiar sua obra independente como diretor. No centro do seu cinema, está sempre o problema do casal e aí é importante lembrar que Cassavetes foi casado com Gena Rowlands, a quem ofereceu grandes papéis. Um deles foi em Glória, que dividiu o Leão de Ouro de melhor filme do Festival de Veneza de 1980 com Atlantic City, de Louis Malle, o que provocou protestos de Glauber Rocha, que concorria com A Idade da Terra. Glauber ficou inconformado com a decisão do júri. Disse que era formado por intelectuais incapacitados e acusou Cassavetes e Malle (mais o Theo Angelopoulos, que também foi premiado por Alexandre, o Grande), de serem todos cineastas de segunda categoria. Não deixa de ser uma espécie de justiça poética que Joel Pizzini, restaurador (com Paloma Rocha) da obra de Glauber, faça agora a curadoria da mostra de Cassavetes. O próprio Glauber talvez revisse sua posição, assumida no calor da hora (e da raiva).