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Cultura » Premio da crítica para… a Dinamarca

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Luiz Carlos Merten

19 Fevereiro 2010 | 18h21

BERLIM – Desde ontem que nao tenho tido tempo de postar. Nao gostei nem um pouco de Mamuth, o concorrente frances, com um Gérard Depardieu que parece ter perdido a forma, mas nao o talento, virando um emulo de Charles Laughton ou, nao sei se é pior, Obélix. Também nao achei grande coisa o noir que Michael Winterbottom adaptou de Jim Thompson, The Killer Inside Me, que me pareceu meio estéril, aspesar de algumas coisas interessantes (como o uso de paisagens interioranas dos EUA) e do reconhecido talento de Casey Affleck, o irmao mais talentoso de Ben, que faz o serial killer. Nao fui à coletiva porque tinha textos para redigir e queria ver filmes, e também porque vou entrevistar o diretor, mas confesso que, a par da decepcao, o filme nao despertou nenhuma polemica e olhem que Casey mata Jessica Alba e Kate Hudson na base da porrada, o que poderia ter despertado, nao sei, certo frissom. Em compensacao, amei o nopvo filme da dinamarquesa Pernille Fischer Christensen, que já havia sido premiada aqui, anos atrás, com Eine Soap. Pernille ganhou há pouco o primeiro premio do festival, o da crítica, que foi para o filme dela En Familie (A Family). A sinopse nao oferecia grande coisa. Uma mulher, galerista, recebe uma oferta de emprego em Nova York e parece disposta a ir com o companheiro, mas o pai, que pertenxce a uma dinastia de padeiros – a família fornece, há geracoes, o pao da famílias real -, depois de se recuperar de um tumor, descobre que tem outro, e agora é fatal. A família vai se desintegrando, até porque o velho é autoritário e quer as coisas do jeito dele. Por exemplo, ele insiste para que a garota desista de Nova York e assuma a conducao da fábrica. Tensoes, briga, culpa. O que era uma festa no comeco vira o inferno, mas nada que nao tenha solucao. Tenho até dificuldade üpara dfescrever a emocao propfunda que me causou uma cena, essencial na trama, mas seria entregar o ouro e tirar a graca de voces quando virem Uma Família. Nao teria votado no dinamarques para o premio da crítica, mas no romeno. Gostei de qualquer maneira da escolha, Há algo de Bergman – Sarabanda, conforme lembrou Carlos Brandao – nesta história densa, muito bem filmada e interpretada. Pernille nao estava na sala do anúncio para receber o premio. Na hora, ela adentrava o palast para a exibicao oficial de seu filme. E o júri, e Herzog, o que vai escolher? Amanha, eu falo e arrisco uns palpites.