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Premiados da Mostra

Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2008 | 15h53

Fui ontem à premiação da Mostra, seguida pelo show de encerramento de Maria de Medeiros. Já perdeu a graça falar mal da cerimônia de premiação, pois se trata de uma comédia de erros que todo ano acrescenta uma trapalhada a mais a uma lista que parece interminável. Mas a de ontem foi demais. ‘Bom’ – todas as frases, todos os anúncios, agradecimentos e o escambau, começavam assim. Torcia por ‘Tulpan’, de Segey Dvorstevoy, mas o júri internacional decidiu, por unanimidade, dar o troféu Bandeira Paulista para ‘The Stranger in Me’, que vi na Polônia. A diretora Emily Atef estava na platéia e protagonizou uma cena hilária. Tão logo viu Hugh Hudson, como porta-voz do júri, anunciar sua vitória, ela correu para o palco, mas Leon Cakoff chamou o trio de ‘nossos convidados especiais’, Benicio Del Toro, Rodrigo Santoro e a produtora Laura Bickford, de ‘Che’. Cada um deles falou, agradeceu e a pobre Emily, aflita, parecia mosca tonta lá num canto do palco. Que mico! Finalmente Leon pediu a Benicio que anunciasse o que já sabíamos, ele disse que ‘The Stranger in Me’ ganhara, e aí a diretora de ‘The Stranger in Me’ pôde, enfim, se manifestar. Respeito muito a decisão de Leon e Renata, que não querem ‘profissionalizar’ a cerimônia de encerramento, mas ela não precisa ser tão desastrosa. É simples – não é legal. Este ano, para complicar, nem os troféus ficaram prontos, o que fazia com que os premiados posassem com uma ‘amostra’ e depois a devolvessem. Nunca vi troféu mais manuseado no mundo. Mas, enfim, o prêmio não se pode dizer que não seja merecido. O filme de Emily Atef é pesado, sobre depressão pós-parto, mas bom. Não entendi muito bem o ponto do júri de documentários, que, tendo de escolher entre seis títulos, premiou três (a metade!). Lembro-me que quando participei do júri da Caméra d’Or em Cannes, os irmãos Dardenne, que ocupavam a presidência, bateram pé e conseguiram convencer todo mundo de que não se deveria dividir o prêmio, para não enfraquecer o vitorioso. No desfecho, até me senti ludibriado, porque o filme que defendia não ganhou e poderia pelo menos ter recebido alguma menção, mas escolher três, entre seis, me parece um tanto excessivo. É a prova – não parece? – que os outros filmes eram ruins demais. Registro aqui as vitórias de ‘Apenas o Fim’, de Matheus Souza, (melhor ficção) e ‘Loki – Arnaldo Baptista’, de Paulo Henrique Fontenelle (melhor documentário), pelo voto do público. Acho que ambos ganharam os mesmos prêmios no Festival do Rio, ou não? E, finalmente, estou pasmo com o gosto peculiar dos ‘cinéfilos’ da Mostra. ‘Rinha’ ficou em sétimo lugar na lista de preferidos do público; ‘Il Divo’, de Paolo Sorrentino, ficou lá pelo fim da listagem; e acho que o português ‘Aquele Querido Mês de Agosto’, de Miguel Gomes, pelo qual fiz campanha no prêmio da crítica – e ele venceu – nem teve votação (pelo menos, num olhar ‘vertical’, não consegui localizá-lo. Que que é isso?