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Premiados da Mostra

Luiz Carlos Merten

02 Novembro 2007 | 12h54

Nem comentei a premiação da Mostra ontem à noite. ‘O Banheiro do Papa’ ganhou a Bandeira Paulista como melhor filme da 31ª edição. Gosto bastante do filme do César Charlone e Enrique Fernández, que tem um lado, assim, ‘neo-realista’ e, por isso mesmo, acho muito humano e cativante. Mas confesso que me surpreende o público e o júri da Mostra votarem num filme tão palatável para o gosto médio. A Mostra construiu sua fama apontando caminhos, ajudando a mudar o mercado brasileiro, fortalecendo o produto alternativo. Não posso resistir à observação de que ‘O Banheiro’, por bom que seja, e é, é um filme tradicional (e sua coragem talvez seja assumir isso, de forma tão despretensiosa). De toda a extensa premiação de ontem – foram uns 20 prêmios -, apenas dois ou três foram, para mim, irreprensíveis. O nosso, da crítica, dado a ‘A Questão Humana’, do Nicolas Klotz; o prêmio de melhor atriz, que o júri deu a Carla Ribas, por ‘A Casa de Alice’, do Chico Teixeira; e o humanitário para Amos Gitai, que este ano exibiu aqui ‘A Retirada’. A Mostra continua em duas salas, o CineSesc e o Cine Bombril, até quinta-feira da próxima semana. Você pode ver, ou rever, hoje ‘Beaufort’, de Joseph Cedar, às 15h30; e ‘Persépolis’, de Marjane Satrapi e Vincent Parannaud – do qual gostaria mais se não houvesse aquela babação de ovo pela França no desfecho-, às 20 horas, ambos no Bombril; e ‘Cochochi’, de Israel Cárdenas e Laura Amélia Guzmán, que era meu segundo favorito para o prêmio da crítica, às 18 horas, no CineSesc. Também hoje, às 23h40, no Bombril, passa ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, dos irmãos Coen, espetacularmente filmado, mas que desconcertou muita gente por sua violência, considerada excessiva, no encerramento da Mostra. É tema para discussão se o cinema norte-americano está mesmo tão violento, discussão que ouço ciclicamente. Lembro, por exemplo, o fim dos anos 60, com filmes como ‘Uma Rajada de Balas’ (Bonnie & Clyde), do Arthur Penn, e ‘Meu Ódio Será Sua Herança’ (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah, ao qual se seguiu ‘Sob o Domínio do Medo’ (Straw Dogs) e este foi considerado o filme mais violento feito até então, em 1971. Devo ser desequilibrado, mas a violência dos Coen tem um lado cômico que me diverte muito. E o Javier Bardem com aquele cabelo é o que há. Quem me assusta é o Cronenberg e a cena da luta na sauna, em ‘Senhores do Crime’, é a coisa mais impressionante que vi ultimamente (o próprio filme é maravilhoso, o melhor dele, mas sei que muita gente não vai concordar, preferindo ‘Gêmeos’ ou ‘Marcas da Violência’).

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