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Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2006 | 10h36

Mal saído do Festival do Rio e já entrando de cabeç;a na Mostra de São Paulo, ainda não tive tempo de comentar uma lista que me parece interessante – a dos filmes preferidos do público carioca. Ilda Santiago, diretora artíastica do festival , tem um discurso parecido com o de Leon, da Mostra. Não quero ficar comparando os dois, muito menos os festivais, mas Ilda também quer oferecer diversidade, revelar talentos, trazer para o público brasileiro o produto alternativo que o mercado, normalmente não comporta. Só que ela, mais até do que Leon, se defronta com uma dificuldade – o público carioca, no fundo, quer antecipar os grandes lançamentos. O de São Paulo, também, mas a Mostra tem aqueles fiéis que passam um cheque em branco a Leon e compram ingresso sem nem saber o que vão ver, esperando apenas ser surpreendidos. Todo ano há grande curiosidade, aqui, pelo filme exótico que o Leon vai trazer, alguma coisa bem miúra. Isso não é uma crítica, é uma constatação. Volver, de Pedro Almodóvar, que estréia em seguida, após a Mostra, distribuído pela Fox, foi o filme mais visto do Festival do Rio. Volver está na Mostra de São Paulo. Duvido que não provoque uma corrida aos cinemas, nas três ou quatro vezes em que for projetado. Pela ordem, os seguintes, na lista dos mais, foram – Babel, Dália Negra, Fonte da Vida (do Darren Aronofsky), The Wind That Shakes the Barley (do Ken Loach, que ganhou a Palma de Ouro), O Cheiro do Ralo (do Heitor Dhalia, prêmio da crítica e especial do júri nas Premières Brasil e Latina), Noel – O Poeta da Vila, O Céu de Suely (de Karim Aïnouz, vencedor da Première Brasil), 100 Escovadas Antes de Dormir (de Luca Guadagnino, um filme de grande apelo erótico, que não encontrei na lista da Mostra, mas pode ser que tenha pulado), A Última Noite (do Altman, trepetindo sua velha fórmula de soltar a câmera entre diversos personagens, agora participantes de um programa de rádio), O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (de Cao Hamburger, vencedor do prêmio do público na Première Brasil), Cartola, As Torres Gêmeas, Garotinho Bobo (de Lionel Baier, exibido no Mundo Gay), C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor, Fabricando Tom Zé, Nenhum Corpo É Perfeito (que se escreve No Body Is Perfect, mas também soa como Nobody, ninguém), Um Bom Ano (do Ridley Scott, com Russell Crowe e Albert Finney) e Na Cama (de Matias Bize, co-produção chileno-alemã sobre casal que vai se descobrindo, aos poucos, após uma sessão de sexo selvagem). Vários desses filmes foram ótimos, e os brasileiros são nota 10. Taí uma coisa que eu também constato – os cariocas preferem filmes brasileiros; os paulistas, na Mostra, privilegiam os iranianos e portugueses. Para esses, duas sugestões – It’s Winter, do Rafi Pitts, e Juventude em Marcha, do Pedro Costa.