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Luiz Carlos Merten

30 Novembro 2010 | 12h26

Acabo de receber o novo pacote da Cult, que traz alguns lançamentos bem interessantes. Todo mês a distribuidora tem resgatado algum título gay e agora não foge à regra, com um filme de Claude Miller com direito a Patrick Dewaere em nu frontal (‘La Meilleure Façon de Marcher’, A Melhor Forma de Andar). Dewaere, para ligar à viagem final de Mario Monicelli, matou-se com um tiro na cabeça, em Paris, em 1982, aos 35 anos. Era jovem, bonito, talentoso. Monicelli estava terminal. Talvez não tenha sido o desgosto pela vida que o levou a esperar quase pelos 100 anos – tinha 95 – para se suicidar. Que coisa! Mas eu confesso que os dois novos lançamentos da Cult Filmes que mais me atraíram são de obras que não poderiam ser mais diversas, pela origem e pelo tratamento. Opostas? ‘A Dama do Cachorrinho’, do russo Iosif Kreifitz, é uma adaptação do original de Chekhov, uma pequena joia soviética, acadêmica? Coloco a interrogação porque, no meu imaginário, o filme que vi quando jovem, no começo dos anos 1960, permanece até hoje como um raro exemplo de delicadeza. O outro filme é japonês e contemporâneo da ‘Dama’, mas ‘O Túmulo do Sol’, de Nagisa Oshima, talvez seja o filme mais nouvelle vague do autor (e do cinema do Japão). Vou ter de dedicar posts especiais a um e outro, mas até gostaria de revê-los antes de escrever. ‘A Dama’ continuará tão bonita quanto me lembro? ‘Túmulo do Sol’, que parecia tão provocativo, também o continuará sendo? Perguntas que só o tempo me permitirá responder.