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Luiz Carlos Merten

28 Fevereiro 2010 | 11h03

Cheguei em casa e encontrei um monte de DVDs à minha espera, entre eles um que não resisto a enunciar imediatamente. A edição limitada, para colecionadores, de ‘Um Lugar ao Sol’ eclipsou outros lançamentos que também me deixaram nos ‘cascos’. O segundo Bergman, ‘Chove Sobre Nosso Amor’, pela Versátil; um Walsh que amo de paixão, ‘Pursued’, com Robert Mitchum e Teresa Wright – no Brasil, chama-se ‘Sua Única Saída’ -, também pela Versátil, só esses já me deixariam exultante, mas ‘Um Lugar ao Sol’… O DVD da Paramount é uma exclusividade da Livraria Cultura e os extras, que pretendo ver, incluem um documentário, Stevens e ‘A Place in the Sun’, e outros cineastas falando sobre o grande diretor. Lembro-me de Charles Chaplin, dizendo, depois de assistir à adaptação do romance de Theodore Dreiser, que era o maior filme norte-americano de todos os tempos. A propósito, almocei ontem no Mythos, um simpático restaurante grego da rue de la Huchette, em Paris, com Sergio Leeman. Falamos sobre TV paga – Sérgio formatou os canais Telecine, na fase áurea, há apenas, quantos? Dez anos? -, sobre os deliciosos cinemas de arte e ensaio parisienses e também sobre a nova cinefilia. Scorsese pode ser citado na capa de ‘Sua Única Saída’, dizendo que o clássico de Raoul Walsh é o primeiro faroeste noir, mas talvez seja uma exceção. Comentei com o Sérgio sobre a quantidade de livros resgatando diretores que, há 40 anos, não valiam dez centavos (Lucio Fulci etc) e caímos nas preferências de Tarantino, que vão de Enzo G. Castellari para baixo. Tarantino virou o avatar dessa nova cinefilia. Não creio que ele elogiasse George Stevens e isso não diminui em nada o fascínio que tenho por ‘Bastardos Inglórios’, estou apenas constatando a mudança. Mas Tarantino me surpreendeu ao amar ‘An Education’, que considerou um dos dez melhores filmes do ano passado. Eu também gostei do filme de Lone Scherfig, com a maravilhosa Casey Mulligan. Parece que não somos muitos. Vocês gostaram?