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Luiz Carlos Merten

03 Janeiro 2007 | 11h07

Que coisa! Havia acabado de postar a notícia da morte de Carlos Maximiano Motta quando chegou o Bira, meu colega Ubiratan Brasil, de volta da folga de réveillon. Conversamos sobre Paraty, onde ele passou o feriadão e que é uma cidade que não conheço, embora faça parte da história do cinema brasileiro, já que muitos filmes foram ali rodados. Conversa vai, conversa vem, o Bira me disse que leu no obituátrio do Globo a notícia da morte, dia 31, de Paulo Perdigão, que há anos (décadas, acho) era responsável pela programação de filmes da Rede Globo. Há 40 anos, eu era guri, em Porto Alegre, e lia o Guia de Filmes e a revista do Instituto Nacional de Cinema, nas quais encontrava sempre os textos do PP. Como crítico, ele era louco por George Stevens. Escreveu um livro sobre Shane (Western Clássico, da LPM, que foi reeditado não me lembro se pela própria LPM) e escreveu textos definitivos sobre Um Lugar ao Sol e Jogo de Paixões, que foi como se chamou, no Brasil, o último Stevens (The Last Game in Town, no original). Também nunca conversei com o PP, mas gostaria de ter discutido com ele uma tese que tenho – O Fundo do Coração, do Coppola, é a versão pós-moderna de Jogo de Paixões. Tem o mesmo cenário de Las Vegas reconstruído em estúdio (no caso de Stevens, para atender a um capricho da estrela Liz Taylor), o personagem do jogador, a corista, o avião no desfecho. Sempre achei o máximo a história que me contaram, e que repasso, esperando que seja verdadeira, segundo a qual o PP, influenciado pelo Woody Allen de A Rosa Púrpura do Cairo, reinventou o desfecho de Shane, fazendo o seu fim para a história do pistoleiro errante que vai embora e o garoto (Brandon De Wilde) grita seu nome, até que uma sombra passa pelo rosto do menino e nós percebemos que ele não apenas virou homem como acaba de sacramentar o mito, ao qual dá adeus. Sempre tive curiosidade de saber qual seria o desfecho de PP para seu filme favorito. Ele também escreveu um livro sobre futebol, mas na minha lembrança PP foi, acima de tudo, o homem que venerava George Stevens. Fiz aqui uma pausa e fui ao arquivo do jornal Estado, procurar na pasta do George Stevens o texto do PP sobre Um Lugar ao Sol. É tão bonito, como o filme, que eu tomo fôlego e volto daqui a pouco.