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Luiz Carlos Merten

24 Outubro 2011 | 22h47

Mais do que filmes, por enquanto, a 35ª Mostra tem me proporcionado encontros bem bacanas. Com a viúva de Elia Kazan, Frances. Minha matéria com ela saiu no ‘Caderno 2’ de hoje e, à tarde, reencontrei Frances no Conjunto Nacional. Foi muito simpática. Estava vindo do meu encontro com Jan Harlan e o cunhado de Stanley Kubrick, então, foi maravilhoso. Ambos me deram visões de ‘dentro’, muito próximas de artistas a quem admiro tanto. Já me haviam dito, mas Harlan me confirmou. Kubrick esperou 30 anos para faszer ‘De Olhos bem Fechados’. Era seu filme preferido, já me haviam contado isso (Michel Ciment). Tive de novo aquela sensação que me deram outros encontros. Com Suso Cecchi D’Amico, a roteirista de Luchino Visconti. Suso foi sempre tão calorosa comigo – seguimos nos falando um tempo por telefone – que tive sempre essa impressão, equivocada talvez, de que poderia ter chegado, um pouco antes, ao próprio Luchino. É a mesma sensação que tenho com Eryk Rocha, com sua irmã Ava e com a mãe, Paula Gaetán. Eles são sempre tão legais comigo que, 20 anos antes, acho que teria sido uma grande experiência humana, talvez até mais que estética, conhecer o próprio Glauber. Ainda não li o livro de Nelson Motta sobre a juventude do ‘Dragão’, mas confesso que estou curiosíssimo. Preciso antes terminar o meu Emilio Salgari da vez, ‘A Conquista de Um Império’, o que espero fazer ainda hoje. No Rio, na mediação do debate de ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’, conheci a mulher de Vinicius Coimbra, que roteirizou o filme com o marido. Manuela Dias também escreveu ‘O Transeunte’. Na mesa, falei sobre o preconceito que existe contra ‘globais’ – Coutinho foi, não?, mas, claro, ele não conta -, e ela me disse que eu nem imagino quanto, mas acrescentou que nunca se sentiu discriminada pela generosa família de Glauber. Realmente, nem sei por que, mas estou me sentindo eufórico, neste momento. Minha segunda-feira incluiu uma entrevista com Paulo José, por causa da estreia, na sexta, de ‘O Palhaço’. Paulo e o ator e diretor Selton Mello foram aplaudidos em cena aberta no Festival do Rio, na Première Brasil. Paulo tem essa longa história no cinema brasileirto. Não só no cinema. Se há uma coisa que me agrada é ficar ouvindo histórias. As de Frances Kazan sobre Elia – ela me contou que a morte do filho Chris foi um rude golpe para o grande diretor e apressou sua morte -, de Jan Harlan sobre Kubrick, de Paulo José sobre Joaquim Pedro de Andrade. O cinema tem me aberto muitas portas, e eu agradeço por isso.