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Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2011 | 18h09

Pour quoi pas? Isso é título de filme francês. César Jacques cai matando em ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’ – sim, é ‘A Hora e Vez’, mas é interessante que o filme antigo, de Roberto Santos, também precede ‘Vez’ por artigo inexistente no original -, sem deixar claro se viu o trabalho de Vinicius Coimbra ou se está só protestando ‘conceitualmente’. Eu confesso que podia ter minhas dúvidas, mas elas se acabaram no momento em que vi o novo ‘Matraga’. E o Coimbra, no debate do Festival do Rio, foi muito preciso. Ele queria adaptar ‘Campo Geral’, e trabalhava no roteiro adaptado da narrativa de ‘Miguelão e Miguilim’, também de Guimarães Rosa, quando descobriu que os direitos pertenciam a Flávio Tambellini, para um projeto com Sandra Kogut. Só aí Coimbra se voltou para ‘Matraga’, apropriando-se, com a mulher roteirista – Manuela Dias, de ‘O Transeunte’ -, da prosódia e até de situações que pertencem a outros trabalhos do Rosa. É uma releitura, sim, e achei muito válida. É verdade que, se tivesse achado uma m…, eu provavelmente teria caído matando. Mas gostei, o cara é bom e isso, Jacques, faz toda a diferença. Quanto a uma eventual refilmagem de ‘Rocco’… É meu filme favorito, todo mundo sabe. Ninguém, nem Visconti – se vivo fosse -, poderia fazer melhor, mas toda tentativa é válida, por que não? E o sentido da releitura é justamente atualizar o que pode ter ficado obsoleto. Em Cannes, este ano, muito me impreessionou ver que a Croisette estava embandeirada com oudoors e faixas anunciando não um remake, mas dois!, de ‘A Guerra dos Botões’, de Yves Robert. Os dois filmes já estrearam ou estão estreando. O original faz parte do meu imaginário. Vi-o garoto, em Porto, num cinema que nem existe mais, o Ipiranga. Mal posso esperar para ver as novas versões. Gostaria de ser surpreendido, como fui por ‘Matraga’.