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Por falar em ‘Avatar’…

Luiz Carlos Merten

10 Maio 2010 | 19h03

PARIS – Sábado, no aeroporto de Londres (Heathrow), embarcando para a França, dei uma folheada em ‘Newsweek’. A nova edição da revista tem na capa uma chamada para o texto de Roger Ebert. O crítico enumera suas razões para detestar o 3-D e sugere que o leitor faça a mesma coisa. Ebert enumera razões técnicas, mas fundamentalmente diz que o formato não se ajusta a filmes sérios, dramáticos. É verdade que ele cita, como um desses filmes sérios, aquele horroroso (para mim) ‘Love in the Air’, com George Clooney, mas, enfim, como diria Billy Wilder, ninguém é perfeito. Mas algumas observações de Ebert procedem. Com raríssimas exceções, acho que o 3-D cria problemas de proporção e perspectiva que me parecem um recuo técnico. Já havia assinalado isso ao comentar aqui no blog a versão 3-D de ‘Viagem ao Centro da Terra’, com Brendan Fraser. Em Londres, ao entrevistar, onde a one, Jerry Bruckheimer, perguntei por que ele fez ‘O Príncipe da Pérsia’ em 2-D, quando o sucesso de ‘Avatar’ praticamente coloca a indústria toda num frenesi pelo 3-D. Queria saber se ele pretende passar o filme para terceira dimensão. Bruckheimer diz que não, e cita ‘A Fúria dos Titãs’ como um exemplo (horrível) de como a coisa pode funcionar. Mas ele também disse uma coisa interessante. ‘Avatar’ foi todo feito em interiores, em estúdios, e neste caso a tecnologia funciona. ‘O Príncipe da Pérsia’ foi feito em locações, no forno do deserto – o maior problema para a equipe -, e neste caso o formato em 2-D capta melhor o esplendor da paisagem. Achei bem interessante a conversa com ele, até como complemento ao que Roger Ebert diz em ‘Newsweek’, mas, pelo visto, agora, só terei tempo de publicar a entrevista na estréia de ‘O Príncipe da Pèrsia’ no Brasil, em junho, após voltar de Cannes.