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Por aí/aqui

Luiz Carlos Merten

11 Outubro 2012 | 13h04

RIO – Foram dois dias sem notícias, mas até eu duvido das loucuras que faço. Na terça, em pleno Festival do Rio, larguei tudo e fui a Porto Alegre, bate e volta, para visitar o set do novo filme de Jorge Furtado – e entrevistar Fernanda Montenegro. Foi ótimo. Fernanda é o encanto de sempre, reencontrei Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, que dividem a direção de ‘Dona Picucha’ – o título é provisório -, e também Marco Ricca, Mariana Lima, Matheus Nachtergaele e Louise Cardoso, que fazem os filhos. Peguei a maior chuva, me molhei pra burro, mas não me queixo. Foi ótimo e olhem que foram quase duas horas de voo para ir, mais duas para voltar, e do Galeão. Cheguei passado da meia-noite, já na madrugada de ontem e após a correria habitual dos filmes na TV e das matérias do dia – em Porto, tive de concluir meu material na lan house do aeroporto -, ganhei um presente especial da Cecília, da HBO, que reuniu Philip Kaufman, o filho dele, produtor de ‘Hemingway & Gelhorn’, e Rodrigo Santoro, para um bate-papo à tarde, junto à piscina do Copacabana Palace. Ficamos mais de uma hora. Não foi só uma entrevista. Foi também um papo de tiete, porque confessei a Philip Kaufman que a mais bela sequência do cinema norte-americano dos anos 1980 vem, para mim, de um filme dele. O momento em que Chuck Yeager rompe a barreira do som em ‘Os Eleitos’ e a stripper, ao som de Debussy, ‘Clair de Lune’, realiza sua dança. A montagem alterna os planos do herói esquecido da conquista espacial, que rompe as nuvens, com as plumas (feathers) que compõem o número da artista. Ele desandou a falar sobre a cena, acho que aquilo criou um clima e o encontro foi maravilhoso. Kaufman estava feliz. Havia chegado na véspera, quando eu estava em Porto Alegre, e Rodrigo o chamou para ver o show de Gilberto Gil, que se apresentava com o filho. Kaufman amou, se emocionou. Ontem à noite, revi o filme dele, que terminou por volta de 1 h (da manhã). Clive Owen como Hemingway, Nicole Kidman como Marta Gelhorn. O filme começa com a personagem aos 70 anos. Nunca vi maquiagem melhor na minha vida – impressionante. E Nicole, depois da Virginia Woolf de ‘As Horas’, é gênio na recriação de outra figura icônica das letras do século 20. Os últimos cinco anos foram difíceis para Philip Kaufman. Ele parou com tudo para atender a mulher, que estava morrendo (como Breno Silveira em ‘À Beira do Caminho’). Me comovem essas histórias de amor. O filme conta uma love story sobre fundo de envolvimento e participação política – como ‘Reds’, de Warren Beatty. Apesar dos Oscars de ‘Reds’, ouso dizer que ‘Hemingway & Gelhorn’ é melhor. Kaufman é seduzido pela mulher forte que, numa cena, diz que não é nota de rodapé na biografia de um grande homem (Hemingway). Como muitas histórias de amor, terminou mal, mas como disse o próprio Hemingway, passado um tempo, a lembrança do amor vai se sobrepor ao ódio. O filme começa e termina com Nicole/Gelhorn. Havia dito a Kaufman que gostava mais da primeira parte, sobre a Guerra Civil na Espanha. Estava falando sem rever o filme, somente com a lembrança que me causou ao encerrar Cannes. Ele me disse que fechasse os olhos para desfrutar a segunda parte. Sem dúvida, é menos heróica, a corrupção do idealismo republicano ensanguentado na Espanha, mas é linda, Kaufman tinha razão. Tenho escrito muito sobre os filmes da Première Brasil e sobre fdilmes de outras seções do festival no jornal. Hoje à noite, no Odeon, ocorrerá a sessão de encerramento, com a entrega dos troféus ao vencedores. Quem vai ganhar o Redentor? Tenho meus candidatos – ‘O Som ao Redor’ e ‘A Busca’, Wagner Moura e Leandra Leal (de Éden’). Mas como suportar que Irandhyr Santos e a animação de Luiz Bolognesi, ‘Uma História de Amor e Fúria’, possam ser esquecidos? E o melhor documentário? Continuo torcendo por ‘O Dia Que Durou 21 Anos’, de Camilo Tavares, mas me apaixonei por ‘Margaret Mee e a Flor da Lua’, de Malu de Martino O suspense termina hoje à noite. Não sei se terei tempo de postar até lá. Estou na sucursal do ‘Estado’ e ainda quero ver, à tarde, alguns filmes.