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Luiz Carlos Merten

24 Setembro 2009 | 13h24

RIO DE JANEIRO – Cheguei! Tentei acrescentar um post ontem pela manhã, antes de sair do hotel, em Universal City. Na hora de salvar, o texto sumiu da tela. Bye-bye. Depois, foi uma correria. Embarquei meio-dia em Los Angeles, rumo a Atlanta, minha porta de entrada nos EUA, quando fui a Monument Valley, e dali Brasil. Rio! Desembarquei aqui diretamenter para o festival, que começa à noite. Cheguei no hotel e encontreo o Rui Tendinha, jornalista português que vai editar uma programação diária do Festival do Rio. A tal publicação é patrocinada pela União Européia, mediante sei lá que acordo – preciso descobrir -, mas o bacana é que é feita por jornalistas da Europa e da América Latina, gente muito jovem, coordenada pelo Rui. Na terça à noite, depóis de dois dias vendo e discutindo animação, fui ao mall (o Glendale) para ver um filme e vi… uma animação. Na copnversa com John Lasseter, o assunto fatalmente terminou caindo em Hayao Miyazaki, que ele ama e até produziu a versão norte-americana do novo filme do cara, que fui ver. Já disse que tgenho mais respeito do que propriamente asdmiração pelo Miyazaki. Há nele alguma coisa que me deixa frio. Os mnonstros do seu imaginário em geral não mexem comigo e eu acho muito estranho que os japoneses de seus filmes, os humanos em geral, não sejam bem japoneses. Ele faz uma estilização da figura humana que os personagens às vezes parecem não pertencer a lugar nenhum. Dito isso, quero acrescentar que amei ‘Ponyo’, muito mais do que ‘A Viagem de Chihiro’. A história tem elementos de contos ocidentais, até um certo parentesco com ‘Procurando Nemo’, que Lasseter dirigiu. O protasgonista é um menino que recolhe essa criasturinha do mar, que quer ser menina, mas o pai dela não deixa. É uma espécie de Tritão, que é contra os humanos porque acha que estão destruindo a Terra (e os oceanos). O pai da menina é autoritário, o pai do garoto é ausente, mas não porque queira e sim porque é marinheiro e vive em alto mar. Essas figuras forçam o parentesco com Nemo, e o garoto ´[e obcecado por reencontrar a menina, quando ela desaparece, e há a representação do fundo do mar, que Miyazaki e seu ateliê de animadores recriam por meio de desenho a mão, exatamente como a Disney, sob Lasseter, está fazendo agora com sua próxima animação, ‘The Princess and the Frog’. O retorno do handrowing é a novidade da Disney, e ‘The Princess’ também reabre a vertente das princesas da Disney, com a novidade de que a princesa agora é negra. Sei que gostei muito de ter visto o ‘Ponyo’, mas não me motivei a ver mais nada. Os grandes sucessos no shopping eram ‘Inglorious Basterds’, que vai encerrar o Festival do Rio, e ‘Distrito 9’, que havia visto em Cancun (e do qual gostei bastante). Vocês que vivem navegando, procurem pelo ‘Ponyo’ na rede e depois me digam se não é um belo Miyazaki.

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