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Luiz Carlos Merten

02 Março 2009 | 19h31

Assisti hoje pela manhã a ‘Watchmen’, de Zach Snyder, adaptado da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons (o desenhista). Achei o visual extraordinário e nisso não me veio nenhuma novidade, pois Snyder já havia feito ‘300’ e, antes, ‘Madrugada dos Mortos’, que é meu preferido entre todos os seus filmes (gosto mais do que dos mortos-vivos de George Romero, vamos, podem me atirar suas pedradas). Vou ter de elaborar melhor uma linha de raciocínio, mas achei o filme sério demais, com sua pompa fúnebre sobre o fim do heroísmo numa América que reescreve, ficticiamente, sua história a partir do Vietnã. E, Deus!, como ‘Watchmen’ é comprido. 2h40! Quando anunciaram a duração no início da sessão, achei que era brincadeira. Ia dizer que nenhum filme de super-herói deveria ser tão longo, mas ‘Batman – Cavaleiro das Trevas’ tem 2h30 e elas passam voando para mim, porque Christopher Nolan transforma o embate Batman/Coringa em material para uma reflexão seríssima, sem perder o humor nem o pathos. Nolan me comove, tanto para rir como para chorar. Snyder me deixa de mármore. Ele não tem humor e quer nos convencer de que sua ópera é definitiva sobre a crise da nossa civilização. Me lembrei de Rodrigo Santoro, que fez ‘300’ e me disse que o diretor é gênio, nerd total, sabe tudo sobre quadrinhos e leva aquilo a ponta de faca. Imagino que Snyder deva achar a dobradinha Moore/Gibbons tão grande quanto… Quem? Não me arrisco nem a sugerir um nome. Qualquer um que citasse seria motivo para vocês me esculhambarem. Não gostei, não.

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