As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Polêmica no Oscar

Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2016 | 14h35

BOGOTÁ – Vocês podem encontrar no site de El Tiempo, na rubrica entretenimiento, uma matéria sobre o tititi da diversidade racial no Oscar. O prêmio da Academia de Hollywood segue sendo ‘branco’? Está havendo um movimento da comunidade afrodescendente nos EUA para boicotar o Oscar. Will Smith e Spike Lee já disseram que não vão. Receio ser acusado de racismo, mas Lee seria penetra na festa. Nunca ganhou e, se não me engano, não foi chamado nem na grande homenagem da Academia a Nova York, após o 11 de Setembro, quando até Woody Allen saiu de casa para dar seu testemunho no prêmio que ganhou muitas vezes, sem nunca ter ido receber. No ano passado já houve um movimento de protesto quando o ator de Selma, o maravilhoso David Oyelowo, que faz Martin Luther King no filme de Ava DuVernay, não foi indicado. O protesto foi pelo critério artístico e, este ano, está tomando o caráter de defesa de ‘cota’. Acho interessante que Smith e Lee não compareçam ao Oscar como protesto, mas Hollywood só sofreria um abalo se Denzel Washington não fosse e, até onde sei, ele está calado (à espera de tomar partido?). Nos últimos anos, Denzel, Halle Berry ganharam Oscars e, no ano em que ela foi premiada, acho que prevaleceu o conceito de cota. Sidney Poitier foi homenageado com Oscar especial, ela foi melhor atriz, por Monster’s Ball – nunca lembro o título no Brasil -, Denzel melhor ator, por Dia de Treinamento. Não creio que merecessem, ela, principalmente. Foi um Oscar meia boca como o de Charlize Theron por Monster, Amor (ou Desejo) Assassino, alguma coisa assim. Este ano, quando merecia, Charlize não foi indicada por Mad Max – Estrada da Fúria. A Academia acha que uma heroína de ação não merece o prêmio. Isso é Hollywood. Injustiças fazem parte da história do prêmio, mas não se pode esquecer que Octavia Spencer e Lupíta Nyong’O venceram, sem contestação, prêmios de coadjuvantes por Histórias Cruzadas e 12 Anos de Escravidão. O Oscar vira e mexe provoca polêmica e qualquer contestação ao prêmio sempre me interessa, mas não estou convencido de que artistas negros devam estar na disputa pelo aspecto racial. Sou sensível ao tema e até hoje me espanta que, em 1939, Hattie McDaniel e Butterfly McQueen, que fazem Mammy e Prissy, duas personagens chaves (e muito amadas) do filme …E o Vento Levou, não tenham podido ir à pré-estreia em Atlanta, na Georgia, porque o cinema escolhido não permitia a entrada de negros. O horror, o horror. Mas a Academia fez justiça e Hattie não apenas foi indicada para o Oscar de coadjuvante (a primeira negra) como venceu o prêmio. Daí a escolher pela cor… Tenho a impressão, me perdoem, de que a cota iria diminuir os embates épicos para chegar lá. Não vi Concussion e não posso falar da ausência de Will Smith entre os finalistas para melhor ator deste ano, mas gosto muito de Idris Elba, de Beasts of No Nation, e Samuel L. Jackson, que poderiam estar entre os indicados para melhor coadjuvante, e de Michael B. Jordan, o Creed, que poderia concorrer a melhor ator. Poderia mesmo? Por mais que goste do garoto, não creio que seja tão bom quanto Leonardo DiCaprio, que este ano leva por O Regresso – o filme de Alejandro González-Iñárritu chama-se O Renascido na Colômbia, e o título me parece mais adequado -, ou o poderoso Michael Fassbender de Steve Jobs, o único, para mim, capaz de ameaçar o reinado de ‘Leo’. Estamos a mais de um mês da festa do Oscar e imagino que o assunto ainda vá repercutir muito. Pelo segundo ano consecutivo, a ausência de intérpretes negros gera protestos. Só para efeito de comparação, fui ver a lista de indicados para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro no ano passado. Havia negros concorrendo – na categorias de ator e coadjuvante. Babu Santana ganhou, por Tim Maia, mas dividiu o prêmio com o Tony Ramos de Getúlio. Quero ver se, numa eventual ausência de intérpretes negros concorrendo aqui, a comunidade também vai se mobilizar.