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Cultura » ‘Polar asiatique’

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Luiz Carlos Merten

02 Junho 2008 | 10h51

Falei mal no outro dia de ‘Cahiers’, mesmo admitindo que sou colecionador da revista. Nos últimos 20 anos, talvez até mais, tenho comprado regularmente os exemplares que chegam ao Brasil, ou que consigo comprar no exterior, já que eles agora ficaram mais difíceis de encontrar no Brasil. Também tenho comprado ‘Positif’, a grande rival de ‘Cahiers’, e esta nunca chega por aqui. ‘Positif’ é menos xiita e dogmática, mais ‘social’ e ‘política’ do que estruturalista, e por isso mesmo confesso que tenho mais simpatia por ela, mesmo que, eventualmente, me identifique com, certas tomadas de posição de ‘Cahiers’. Gostei, por exemplo, quando o redator-chefe da revista, o Frodon, veio ao Brasil para dizer, entre outras coisas, que Hollywood reagira à crise, ao 11 de Setembro, citando, entre suas referências, o cinema de Spielberg, o da trilogia, que tanto venero. Mas quero dizer o seguinte. Comprei em Paris o número de maio – do festival – de ‘Positif’, que não havia encontrado na Croisette. Fui na livraria Reflets Médicis, comprei vários volumes de autores da coleção ‘Cahiers’/’Le Monde’, e também três ou quatro exemplares de ‘Positif’. Além do de maio, também os de fevereiro, março e abril. Quero dizer que, se vocês acessarem o site da revista, vão encontrar coisas muito interessantes. O número de maio traz um perfil de Sean Penn que havia sido publicado originalmente em ‘The New Yorker’ e que ‘Positif’ retoma pelo motivo óbvio de que ele presidiu o júri de Cannes. A revista publica todo mês um dossiê e o deste mês é sobre o polar asiatique, com uma análise de fundo do cinema de Andy Lau, Park Chan Wook e John Woo – sensacional! Este texto eu li e, independentemente de concordar ou não com certas análises – é o de menos -, encontrei informações muito interessantes sobre os diretorees (e o policial asiático em geral). Tem mais – numa seção intitulada ‘Chantier de la Réflexion’, ‘Positif’ traz um texto intitulado ‘Let It Bleed’ – Deixa Sangrar – com análises de fundo sobre ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, ‘Sangue Negro’ e mais outros filmes nos quais o sangue (a violência) metaforiza os EUA de Bush filho. Este ainda não li, mas acho que vale uma conferida. Nas edições anteriores – agora me confundo, não tenho as revistas à mão -, o dossiê, não sei se de março ou abril, é sobre Henry King, diretor norte-americano muito ativo nos anos 30 aos 60, sobre o qual já havia comprado um livro na Espanha, e também uma edição cinema e rock, pegando carona no documentário do Scorsese com os Stones. Para cinéfilos, são verdasdeiros acepipes.