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Luiz Carlos Merten

20 Agosto 2011 | 00h34

Havia redigido o post sobre Raúl (Raoul) Ruiz quando fui ler os comentários e encontrei o do Sidney. Como eu, dele ama ‘Les Trois Couronnes du Matelot’. Freud há de explicar por que,. no meu imaginário, elas viraram quatro. O filme baseia-se numa história de Selma Lagerlof, à qual Ruiz superpõe Joseph Conrad, Robert Louis Stevenson, não duvido que Emilio Salgari e, sim, Hans Christian Anderson. O marinheiro viaja pelo mundo naquele barco que pode ser – é? – a representação metafórica do exílio e da morte. Estava com Ruiz na cabeça quando cheguei à Fox. No caminho, descobri que ‘Super 8’, que amei, tubelou nos cinemas brasileiros e pode ser considerado um fracasso. Como – um filme tão emotivo e inteligente? Senti-me na contramão do público e foi assim que comecei a ver a origem do ‘Planeta dos Macacos’. O filme me apanhou. Lembrei-me de ‘O Garoto Selvagem’, de François Truffaut, de ‘Greystoke, a Lenda de Tarzan’, de Hugh Hudson. O velho conflito entre instinto e cultura repressora. Histórias de aprendizado, de domínio das ferramentas que nos tornam adsultos (e conscientes). James Franco faz o cientista que realiza experiências com macacos buscando a cura do Alzheimer de que sofre seu pai. A indústria farmacêutica só pensa em lucro, ele se afeiçoa ao filhote da fêmea de símio que era sua cobaia. Sente-se pai de ‘César’, o macaco, que cresce, dotado de inteligência rara. E sofre – César é interpretado por Andy Serkys, que fez o Gollum e o rei Kong para Peter Jackson. Preciso dizer mais sobre a expressividade de seu olho, sobre a mão estendida que, no princípio, representa a submissão de César ao ‘pai’? Tudo isso vai mudar, mas se os macacos logram dominar a Terra não é porque sejam malvados. Lembrem-se do desespero de Charlton Heston ao descobrir onde está, no ‘Planeta’ original. Uma subtrama, que aponta para ‘Epidemia’ (de Danny Boyle), fornece a chave. Puta filme, meu. Sua riqueza de significados me deixou siderado. E o olho de Andy Sirkis, isto é, de César, despedaçou meu coração. Confesso, o que pode ser motivo de escândalo, que as graves questões propostas por Terrence Malick em ‘A Árvore da Vida’ me parecem mais pertinentes – e melhor respondidas – no novo ‘Planeta dos Macacos’ e em ‘O Estranho Caso de Benjamin Button’, também com Brad Pitt, que passa amanhã na Globo. Dei-me conta ao redigir o verbete para os Filmes na TV. Misturando alhos com bugalhos, percebi, claro como a luz do sol, que Malick pode ser um grande cineasta, mas é um pensador medíocre e aquele ‘2001’ canhestro, o Big Bang no começo de seu filme, só pode ser levado a sério por gente mais infantil que ele. Dei uma pausa no post e fui procurar quem é o diretor de ‘Planeta dos Macacos – A Origem’. O nome de Rupert Wyatt não me diz nada. Quem é? É tarde e vou dormir. Desisto de pesquisar agora. Agradecerei, se vocês o fizerem por mim.