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Luiz Carlos Merten

20 Abril 2009 | 14h11

A França está em pé de guerra. Já estava há tempos, desde que o patético Sarkozy entrou na onda do politicamente correto norte-americano e proibiu o cigarro em locais públicos fechados. Os franceses fumam pior do que chaminés. No cinema, então… Não me lembro de alguma vez ter visto Jean-Paul Belmondo sem estar envolvido numa aura de fumaça. Mas agora não pode. A coisa pegou fogo por causa de uma exposição dedicada a Jacques Tati, atualmente em Paris. A Sociedade dos Realizadores Franceses e o Sindicato Francês dos Críticos de Cinema estão hurlando com a decisão da Metrobus, empresa que gestiona o uso da publicidade no metrô e nos ônibus da capital francesa. A Metrobus simplesmente eliminou o cachimbo que fazia parte da persona de M. Hulot, o personagem emblemático de Tati. Nos cartazes da exposição, o cachimbo é substituído pelo que parece um moinho de vento. Trata-se de um revisionismo ‘insuportável’, proclamam as duas entidades de classe. É, as tais liberdades deveriam ter sido restauradas com a queda do Muro de Berlim. Afinal, ou eu me engano muito ou o combate ao comunismo foi sempre feito em nome das chamadas ‘liberdades individuais’. Na verdade, acho que elas caíram em definitivo com ele. Detesto cheiro de cigarro, mas, no cinema, pelo menos, ele é tão estético que não dá para não defender. Como ficaria Marlene, nos filmes de Josef Von Sternberg?