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Luiz Carlos Merten

08 Junho 2010 | 15h19

Fui ver agora pela manhã ‘Plano B’. Fui, como diria Ricardo Guiraldes em ‘Don Segundo Sombra’, ‘como quien se dessangra’, achando que seria a maior m… Confesso que fiquei agradavelmente surpreso, mas é coisa muito pessoal, que não espero que alguém compartilhe comigo. Na saída da cabine, realizada no RoboCop, a Fernanda, do GuiaEstado, e eu dividimos o carro do jornal. Perguntei se ela havia gostado e a Fernanda, mais ‘crítica’ que eu, respondeu – ‘E dá para gostar?’ Bom, para mim, deu. Claro que o filme tem momentos ruins, mas tenho de começar dizendo que a química entre Jennifer López e Alex O’Laughlin me pareceu perfeita. Há tempos não vejo uma comédia romântica em que dá para acreditar que os personagens estão realmente sentindo o que os atores fingem sentir (como diria Fernando Pessoa). A trama é uma bobagem. Jennifer faz inseminação artificial porque quer ser mãe e não conseguiu encontrar o homem certo. Com medo do relógio biológico, ela ‘apela’. Jennifer! A fila de homens dispostos a engravidá-la daria a volta ao planeta, mas, enfim, é o ‘McGuffin’ da trama (para pegar carona em Hitchcock). Na saída da clínica, J Lo encontra Alex O’Laughlin. O cara é australiano e permitam-me dizer que, como galã, ele me parece o que Hugh Jackman não consegue me convencer que seja (mas as mulheres, que são as grandes interessadas, são loucas pelo Wolverine e acham que ele é). Alex sente-se atraído por Jennifer – e ela está realmente sexy e linda. Só que nosso garoto toma um susto ao descobrir que ela está grávida, e de gêmeos. Achei as reações do cara perfeitamente cabíveis e os atos falhos, como dizer que os gêmeos não são ‘dele’, coisas de um cara ‘normal’, no sentido de comum, embora a Fernanda tenha achado que ele é certinho demais. Como, certinho, um cara que duvida? Engraçado é que, vendo ‘Plano B’, me lembrava, a todo momento, de um filme com o qual não tem nada a ver. Em ‘Quanto Dura o Amor?’, de Roberto Moreira, Gustavo Machado também toma um susto quando descobre que sua sexy vizinha é hermafrodita. Quando ele reage daquele jeito, o diretor quer nos fazer crer que seria perfeitamente natural um diálogo do tipo ‘Ah, meu bem, by the way, eu sou assim’. Que o cara ia aceitar sem vacilar que sua mulher tenha, ou tivesse, os dois sexos. Alguns iam até querer usurfruir, mas é outra história.  ‘Quanto Dura o Amor?’ não dá. É um filme no qual não consigo ‘entrar’, de jeito nenhum. Já as dúvidas de Alex O’Laughlin. numa comédia tola, me parece que podem ser compartilhadas pela gente. E a química dele com Jennifer é total. Não acreditava um minuto nela com Ralph Fiennes naquele filme da camareira que se envolve com o político, em Manhattan. também achei a pobre Jennifer esforçada, mas um equívoco naquele filme de denúncia do Gregory Nava. Teve gente aqui no blog que se irritou comigo, mas ‘Cidade do Silêncio’, Bordertown, é um horror e a prova de que o caminho do inferno, no cinema, pode ser pavimentado com boas intenções.  Em ‘Plano B’, Jennifer é esplendorosa. Até nisso, o filme convence. Mulher bem amada é outra coisa.