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Luiz Carlos Merten

27 Novembro 2006 | 10h22

Estou ficando viciado nesta coisa de blog. Chego no jornal cedo (é minha norma) e logo quero ‘postar’, o que já virou piada dos meus colegas de redação. Tinha acabado de postar sobre o Happy Feet quando me dei conta de que não falei de duas coisas importantes. De repente, os pingüins viraram personagens ‘quentes’ de Hollywood. O documentário A Marcha do Imperador estourou e eu não entendia muito bem, mesmo gostando do filme. Em Tessalônica, conversando com Marcelo Gomes, ele me esclareceu – num dia em que falávamos de trivia sobre cinema, ele me falou das mudanças que a distribuidora americana fez no original francês, para torná-lo mais palatável para o público dos EUA e, principalmente, me deu a chave que eu não tinha percebido. Os pingüins são monogâmicos por natureza, o que impulsionou os mórmons a fazerem propaganda pelo filme, que ganhou a audiência americana conservadora, a mesma que apoiava Bush. Coloco no passado imperfeito porque parece que o quadro está mudando e a rejeição aumentou muito, por causa da Guerra do Iraque. Tudo isso me esclarece alguma coisa, mas A Marcha do Imperador é recente e, na seqüência, surgiram os pingüins que, para mim, roubaram a cena de Madagascar. De onde vem este feeling, este timing da indústria? A Marcha do Imperador e Madagascar talvez fossem coincidências, porque são muitos próximos e uma animação demora muito para ser feita. Duvido que os pingüins tenham sido incluídos por causa da Marcha. Happy Feet me parece mais provável que tenha filiação com A Marcha, mas não tenho certeza, porque foi um projeto que também demorou muito (quatro anos) para ser concluído. Pingüins, de qualquer maneira, estão na moda. E mesmo achando o filme um pouco longo, o Mano de Happy Feet é muito simpático. Acho que, no fundo, é isso. Eles (os pingüins) têm uma massa física parecida com a dos humanos. São desajeitados, o que os torna divertidos. E não são caricaturas de humanos, como o cinema, em geral, enfoca os macacos.