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Luiz Carlos Merten

02 Outubro 2008 | 18h18

RIO – Não entendo mais nada. Marcelo Bala, foste tu não?, me diz umas coisas que sugerem que eu chamei o diretor de ‘A Rinha’ de neonazista, quando, obviamente – reli o texto – neonazistas me parecem os diretores de Marketing das empresas que não querem colocar dinheiro no filme dele sobre downianos. Fiz esta ponte com neonazismo porque me parecia óbvia a referência ao filme de Nicolas Klotz ‘A Questão Humana’, que amei, mas pelo visto não era. Ou então, também não entendi o comentário do Marcelo. Deu linha cruzada.
Lívia ironiza e me chama de vovô porque não gostei de ‘A Rinha’. (Mas quantos defensores tem este filme, não?) Ela diz que adorou e acrescenta que meu bisneto também vai adorar, sugerindo que o filme é uma obra de vanguarda que será apreciada daqui a duas ou três gerações. Mas em que mundo tu vives, guria? Pelamor de Deus… Tá certo que a mediocridade é cada vez maior, no mundo atual. Ontem, no debate sobre ‘Um Romance de Geração’, do qual fazia a mediação, o escritor Sérgio Sant’Anna criticou a internet, dizendo que ela tem esse lado democrático, que permite que todo mundo se expresse e isso é legal, mas acrescentou que o que se vê é um festival de besteiras (ele não citou a expressão. Eu a cito para fazer a ponte com Stanislaw Ponte Preta, que teria trabalho redobrado se estivesse vivo). Para o meu bisneto adorar ‘A Rinha’, o nível estético/cultural, que já anda baixo, vai ter de cair muito mais e eu não duvido que isso ocorra. Só como curiosidade, Lívia, tu que gostaste tanto de ‘A Rinha’, o que achaste, por exemplo, dos filmes de Matheus Nachtergarele e Selton Mello? Os meus bisnetos vão gostar desses? Olhaí na tua bola de cristal e avisa o vovô, tá?
Não me lembro mais quem postou o comentário sugerindo que as minhas dificuldades técnicas se devem a diretrizes baixadas pelo jornal em tempos de eleição e que vão acabar na semana que vem, ou após o segundo turno. Sinto decepcionar, mas foram problemas técnicos, sim. Aliás, já foram sanados e os comentários aí estão.
Quem foi mesmo – Carlos Pereira? – que me pediu uma avaliação da obra do Sérgio Bianchi. Vou com calma porque piso terreno minado. Tenho grande admiração por alguns filmes do Sérgio e por outros, nem tanto, mas certamente o considero um diretor inteligente e provocativo. Ocorre que eu ia escrever um livro sobre ele na Coleção Aplauso, na Imprensa Oficial. Cheguei a ficar umas duas tardes com o Sérgio, mas depois descobri que simplesmente o gravador não registrara nossa conversa e o pouco que estava documentado apresentava um chiado horrível, difícil de identificar. Desertei da vida do Sérgio, sem nunca ter lhe dado explicações nem pedido desculpas formalmente. Faço-o agora. Quanto à análise dos filmes, vamos deixar para depois do Festival do Rio e da Mostra.