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Luiz Carlos Merten

21 Novembro 2007 | 10h57

Não sei se César Murilo Jacques e César Jacques são a mesma pessoa, mas César Murilo faz uma observação pertinente, a de que ‘Bye-Bye Brasil’, de Cacá Diegues, se enquadra perfeitamente no gênero filme de estrada (é verdade), e o César Jacques me puxa as orelhas por gostar do Brooks, citando a crítica de Sam Peckinpah ao final de ‘Os Profissionais’. Compreendo a crítica do grande Sam a Brooks, embora não concorde com ela, já que o tema do filme é a reconstrução moral – a segunda chance – dos mercenários que reencontram o vigor revolucionário. Brooks era um romântico que fez alguns dos melhores filmes sobre a segunda chance de toda a história de Hollywood (e olhem que é um tema recorrente do cinemão). A morte de Lord Jim é uma coisa de louco e, mesmo com o risco de ser apedrejado, carrego comigo o Peter O’Toole mais por este filme do que por ‘Lawrence da Arábia’, de David Lean, do qual também gosto bastante. Saymon também baixa o cacete em ‘Gata em Teto de Zinco Quente’, elogiando Kazan (‘Uma Rua Chamada Pecado’), mas sem tocar no xis da questão. Nas suas duas adaptações de Tennessee Williams, ambas com Paul Newman – a outra foi ‘Doce Pássaro da Juventude’ -, Brooks atenua os aspectos mais controvertidos do texto. Em ‘Gata’, é óbvio que Newman tinha um caso com o amigo que morreu e o fato de ele andar com muletas tem uma carga simbólica muito forte. O homossexual reprimido de ‘Gata’ vira o gigolô mais discreto do cinema em ‘Doce Pássaro’, onde nem fica claro se o pobre Newman tinha de comer a decadente Alexandra Del Lago (Geraldine Page). Mas eu acho que essas edulcoradas do Brooks, coerentes com o temperamento dele e não simplesmente imposições comerciais, é que fazem do cara um cineasta tão bacana. Quanto ao fato de o final de ‘Os Profissionais’ ser calhorda… Adoro Peckinpah, mas não levo muito a sério essa crítica. Peckinpah, como Robert Aldrich, engoliu tantos sapos em Hollywood que disse uma vez que era como uma p… (whore), mas não uma p… qualquer e sim, a melhor, ou seja, mesmo brigando, ele terminava por fazer o que o cliente, perdão, o produtor queria. Tenho o máximo respeito por Peckinpah, mas não vai ser ao custo de denegrir Richard Brooks que eu vou gostar mais dele.

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