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Luiz Carlos Merten

17 Outubro 2008 | 18h26

Não percam o ‘Loki’, documentário de Paulo Henrique Fontenelle sobre o ex-Mutante Arnaldo Baptista, que eu achei uma coisa de louco, no sentido de muito-muito bom. Suas exibições na Mostra talvez sejam as últimas chances que o público vai ter de assistir a este filme no cinema, pois ele vai para a TV, no Canal Brasil, e o DVD. Ao contrário de meu colega Zanin, Luiz Zanin Oricchio, não tive muita paciência com ‘Liverpool’. Acho ‘Los Muertos’, de Lisandro Alonso, um grande filme, mas aqui acho que o diretor argentino exagerou no desejo de querer ser cult a qualquer preço. Coisa mais chata. Também não consigo achar ‘Lorna’ um grande filme dos irmãos Dardenne. Está tudo lá, tudo o que fez a grandeza deles, mas desta vez eu não embarquei – eu e meia crítica no Festival de Cannes, onde os Dardennes dividiram o público e tiveram da Palma de Ouro a uma mísera estrela no quadro de cotações. A atriz deles é magnífica, de qualquer maneira. E temos os irmãos Coen. Tudo bem, vocês podem dizer que eu ando implicando com eles, mas tenho para mim que, à força de quererem ser inovadores, Joel e Ethan estão criando um conformismo às avessas. Não tive o menor saco para ver o George Clooney como pateta, só para dizer que não é gostoso, e muito menos para curtir o Brad Pitt criando um papel bizarro daqueles que garantem – será que vai garantir? – indicação para o Oscar nos filmes dos irmãos. A própria idéia de que Frances McDormand desencadeia toda aquela loucura para se reciclar e, no limite, atinge seu objetivo, me pareceu muito cínica para expressar a crítica dos Coen às instituições. Mas, fazer o quê?, sinto que sou minoria. No Festival do Rio, o público ria assistindo a ‘Queime depois de Ler’ como se fosse o filme mais engraçado do mundo. Sei que estou dando pinceladas, mas não tenho tempo para me estender mais. Vamos ter tempo de falar sobre esses e outros filmes – como o documentário ‘Procedimento Operacional Padrão’. Entrevistei Errol Morris em Berlim e o texto está no ‘Caderno 2’. Independentemente de gostar ou não do filme, acho que o que ele diz sobre o episódio das fotos de Abu Ghraib é muito interessante para qualquer pessoa que já tenha se interrogado não sobre o que aquelas imagens revelam, mas o que elas escondem e é o tal ‘procedimento padrão’ do Exército dos EUA em áreas ocupadas.

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