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Luiz Carlos Merten

29 Fevereiro 2008 | 13h49

Volto ao Felipe, nesta nossa viagem pelo cinema italiano – e estou me reservando para ver amanhã à noite, no ciclo dedicado à Magnani, no CCSP, ‘Teresa Venerdi’, de Vittorio De Sica, que não conheço. Felipe diz que Pietro Germi era ótimo e lembra que ganhou o Oscar de roteiro original por ‘Divórcio à Italiana’. Celebramos tanto, no ‘Estado’, a abertura do Oscar de 2008 para os estrangeiros que vale lembrar – o Oscar, com toda xenofobia dos norte-americanos, reconheceu grandes talentos do cinema mundial. Claro que sempre será possível citar os esquecidos, mas Bergman, Fellini, Kurosawa receberam não um, mas vários prêmios cada. Alain Robbe-Grillet, que morreu recentemente, foi indicado ao Oscar de roteiro original por ‘O Ano Passado em Maribenbad’ – não sei se hoje, com toda a nova abertura, isso se repetiria. De ‘Divócio à Italiana’, lembro-me sempre do Marcello Mastroianni, com aquele bigodinho, e da fotografia em preto-e-branco, que captava toda a dureza da luz da Sicília. Casas de fachadas superxpostas, mulheres de preto, interiores opressivos. Já contei que gosto muito do Germi como ator, num filme de Bolognini, ‘Caminho Amargo’, também com Claudia Cardinale e Jean-Paul Belmondo, que adoraria rever. Germi fez o policial de ‘Aquele Caso Maldito’, que também dirigiu – será que o filme era tão bom quanto me parece ou a memória está me traindo? Só para acrescentar. A Versátil – em qual pacote, janeiro ou fevereiro? – lançou ‘O Ferroviário ‘ em DVD. Em 1956, o neo-realismo já havia mudado com Fellini, Visconti e Antonioni – o próprio Rossellini, com ‘Francisco, Arauto de Deus’ e ‘Viagem na Itália’. Germi foi meio que cruficicado por seu neo-realismo tardio. Vou rever ‘O Ferroviário’ e gostaria muito que a Versátil lançasse também ‘O Homem de Palha’, que ele fez no ano seguinte. Fui verificar no Dicionário de Cinema de Jean Tulard a data de produção de ‘Il Ferroviere’ e terminei lendo o verbete dedicado ao diretor, que é pequeno. Tulard diz que ele foi um dos pais da nova comédia italiana. Não tinha o cinismo de Risi, a sensibilidade de Scola, a experiência de Monicelli nem o refinamento de Comencini, mas ‘Como Viver com Três Mulheres’ (L’Immorale), de 1967, Tulard acha que Germi fez uma obra-prima que não é indigna dos grandes mestres. Achei curioso o modo como o crítico e historiador conclui o verbete. Saído de um meio modesto da Ligúria, conhecendo um começo difícil, Germi havia iniciado sua carreira com dramas sociais que não ficaram na memória. Eu me lembro de ‘O Ferroviário’.

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