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Luiz Carlos Merten

15 Julho 2008 | 13h59

Ou vocês me abandonaram de vez ou a comunicação ficou mais difícil do que eu imaginava. Fui informado de que os comentários de vocês cairiam diretamente, sei lá por qual atalho, no meu e-mail pessoal. Isso me obrigou a ficar limpando minha caixa, mas não acontece nada. Se, por acaso, vocês estiverem aí, n]ão desanimem. Numa hora qualquer, o sistema volta a funcionar e a gente se comunica. Não esqueçam hoje do debate sobre Bergman no HSBC Belas Artes, às 9 da noite. E aproveitem para ver antes ‘Gritos e Sussurros’, o programa de hoje no ciclo dedicado aos 90 anos do grande diretor. Posso até achar que ‘Morangos Silvestres’ é melhor e que ‘Persona – Quando Duas Mulheres Pecam’ tem os 6 minutos iniciais, antes que a primeira frase seja disparada, mais poderosos… Brinco, brinco. É só que não podia perder a piada. Como são 6 minutos cravados, de pura investigação de linguagem,. queria só provocar quem não abre mão de que a escadaria de Odessa, outros 6 minutos notáveis, continua a ser ‘o’ marco da história do cinema, no cult ‘O Encouraçado Potemkin’, de Eisenstein. Para resumir – por melhores que sejam estes (e outros) Bergmans, tenho um carinho especial por ‘Gritos e Sussurros’, que marcou meu primeiro choque bergmaniano. Vi o filme em Buenos Aires e, depois, na estréia brasileira, quando ele mal ficou uma semana em cartaz. Foi retirado pela Censura, naquelas arbitrariedades que caracterizavam o regime militar, mas voltou, sem o corte que era exigido, na cena em que Ingrid Thulin corta a própria vagina com o caco de vidro. A Pietà de Bergman, quando Kari Silwan descobre o seio e nele abriga a moribunda Agnes, me deixou tão chapado que repensei Bergman (e acho que a minha vida). Que filme! Hoje, no HSBC, e depois o debate.