Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Peter Lorre (5)

Cultura

Luiz Carlos Merten

23 Março 2009 | 12h50

Não me atrevo a escrever mais nada sobre ‘Casablanca’, que encerra o ciclo em homenagem a Peter Lorre, no TCM. O clássico romântico de Michael Curtiz com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman é um dos filmes mais cultuados do cinema, tendo recebido o Oscar de 1942. Curtiz, nascido Mihaly Kertesz, na Hungria, foi outro europeu que fez carreira em Hollywood, marcado pela herança do expressionismo. Um dos pilares da empresa Warner nos anos 30 e 40, ele ligou seu nome a westerns, musicais, filmes de aventuras, de gângsteres. Era autoritário e assassinava alegremento o inglês com um sotaque, ao que se diz, horroroso, que volta e meia produzia gafes homéricas. Certa vez, conta Jean Tuilard, ele pediu a um assistente que providenciasse 20 ‘monkeys’, mas queria dizer ‘monks’. Já imaginaram – 20 macacos invadindo o estúdio, em vez de 20 monges? Cinéfilo que se preze conhece a história das mudanças de elenco e do roteiro que ia sendo escrito em plena filmagem, tudo isso tendo ajudado a construir a fama de ‘Casablanca’. Para encerrar esta série de posts sobre Peter Lorre, prefiro lembrar que, em 1951, ele voltou à Alemanha para sua única experiência como diretor. ‘Der Verlorene’ não fez sucesso nenhum, mas era um filme adiante de sua época que adquiriu excelente reputação com o tempo. Conta a história de um sujeito, o próprio Lorre, que cometeu crimes durante o nazismo, mas conseguiu permanecer impune. Ante a possibilidade de ser finalmente desmascarado, ele… Pára, Merten, senão te chamam de ‘spoiler’ (embora o filme não esteja disponível, mas seja daqueles que vale a pena garimpar na internet). Tulard refere-se à atmosfera ‘demasiado estranha’ de ‘Der Verlorene’. Conheço bem o Peter Lorre ator. Nunca vi seu filme como diretor. É uma lacuna que gostaria de preencher em minha formação. Pode ser fantasia minha, mas posto que se trata de um ator tão fora de esquadro – e fascinante – quanto Charles Laughton, imagino que o filme de Lorre possa ser ‘quase’ tão bom quanto ‘O Mensageiro do Diabo’. Será?

Encontrou algum erro? Entre em contato