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Luiz Carlos Merten

23 Março 2009 | 12h24

Frank Capra já havia ganhado seus três Oscars de direção – por ‘Aconteceu Naquela Noite’, ‘O Galante Mr. Deeds’ e ‘Do Mundo Nada Se Leva’, em 1935, 36 e 38 – e também já estabelecera sua reputação como cineasta do New Deal do presidente Roosevelt quando dirigiu ‘Este Mundo É Um Hospício’ em 1941 (mas o filme só foi lançado três anos depois). Em parceria com o roteirista Robert Riskin, ele fazia aqueles filmes truístas que vendiam a idéia de que o dinheiro não traz a felicidade e que a democracia é o melhor dos sistemas – nisso, estava certo, mas não precisava de tantos discursos moralizadores. Hoje em dia, tudo isso é muito discutido, mas não há como negar que Capra foi um grande entertainer. Em 1944, dois anos antes do cultuado ‘A Felicidade não Se Compra’, o ápíce de seu cinema ‘social’, surgiu a maior e mais surpreendente de suas comédias. É justamente ‘Este Mundo É Um Hospício’, que prossegue o ciclo em homenagem a Peter Lorre, após ‘A Máscara de Dimitrios’. No original, chama-se ‘Arsenic and Old Lace’, caracterizando-se por um humor negro que nada tem a ver com o estilo consagrado de Capra e parece muito mais próximo do que a empresa inglesa Ealing faria nos anos 50. Cary Grant é o protagonista de ‘Este Mundo É Um Hospício’, no papel do sobrinho dedicado que tenta convencer suas tias de que não é certo colocar arsênico na bebida para matar velhos senhores. Peter Lorre aparece no próprio papel e Raymond Massey (é ele, não?) faz Boris Karloff – ambos são assassinos – e o barato do filme é que Capra dirige Grant de uma forma que, pela interpretação do astro, parece que o personagem ‘sensato’ que ele faz seja o único louco da história. Capra deve ter percebido que o mundo ia mudar depois da 2ª Guerra e seu filme já anuncia isso. Não sei se vocês conhecem ‘Arsenic and Old Lace’. Outro dia, citei Frank Capra a propósito de não me lembro que outro filme e surgiram vários comentários contra o mais italiano dos diretores norte-americanos. Quem vir hoje ‘Este Mundo É Um Hospício’ vai descobrir um Capra diferente, e melhor. E Peter Lorre é ótimo, como sempre.