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Luiz Carlos Merten

23 Março 2009 | 10h50

A assessoria do TCM, o Turner Classics, da TV paga, foi muito bacana comigo, movendo céus e terra para que eu pudesse ver ‘A Máscara de Dimitrios’, de Jean Negulesco, que inicia agora à tarde, às 14 horas, o ciclo em homenagem a Peter Lorre. Completam-se hoje 45 anos que ele morreu em Hollywood, de ataque cardíaco, aos 59 anos. Peter Lorre nasceu na Hungria, em junho de 1904, e morreu em 23 de março de 1964. Seu nome de batismo era Laslo Loewenstein e ele nasceu na Hungria, mas foi na Alemanha que se tornou conhecido como ator, com o pseudônimo que adotou. Em 1931, sob a direção de Fritz Lang, fez um dos maiores filmes da história do cinema – ‘M, o Vampiro de Dusseldorf’ e o seu grito de ajuda, quando o assassino de meninas é colhido na armadilha que o submundo do crime lhe armou, é uma coisa inesquecível. Poucas vezes a fragilidade do humano foi expressa na tela com tanta dor. O problema de Peter Lorre é que ele possuía um tipo físico muito particular. Baixinho, gordinho, olhos globulosos, ombros caídos, mãos crispadas (e, proporcionalmente, enormes para seu tamanho), nada disso favorecia a que se tornasse um ‘astro’ em Hollywood, para onde foi, fugitivo do nazismo. Ele fez alguns filmes como protagonista – ‘Crime e Castigo’, a versão de Josef Von Sternberg –, e também estrelou uma série com o detetive japonês Mr. Moto, espécie de resposta às aventuras de Charlie Chan, que tanto sucesso faziam, nos anos 30, mas foi como coadjuvante que virou mito no cinema norte-americano. O ciclo do TCM exibe três filmes – no primeiro deles, ‘A Máscara de Dimitrios’, Lorre é co-protagonista, com Sydney Greenstreet. Os outros dois, na sequência, são ‘Este Mundo É Um Hospício’, às 15h40, e ‘Casablanca’, às 17h45, nos quais ele integra notáveis elencos de coadjuvantes. São filmes sobre os quais quero falar, isoladamente. Vamos a eles.