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Cultura » Peter Greenaway em São Paulo

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Luiz Carlos Merten

09 Julho 2007 | 17h02

Entrevistei agora de manhã Peter Greenaway. Ele está em São paulo acertando detalhes de sua performance no Videobrasil, o maior evento de arte eletrônica do País, no fim de setembro. Quer dizer. Não sei se ainda está em Sampa, porque PG já chegou para a entrevista, no fim da manhã, no Sesc Paulista, de mala. Falou comigo, deve ter feito mais umas duas ou três entrevistas e foi (vai) para Porto Alegre, onde dá amanhã uma conferência na Universidade Federal do Rio Grande do Sol, sob o título – O Cinema Está Morto, Vida Longa ao Cinema. Faz tempo que PG proclama a morte do cinema. Ele diz que o cinema morreu, mas a tela está viva. Só que a tela não é mais a tradicional, nas salas de cinema. PG acha burrice essa coisa de todo mundo ficar duas horas no escuro, olhando para a tela. Não existe interatividade, como ele diz, e a chave para o futuro do cinema, segundo ele, está nisso. Não se pode fazer cinema para a geração internet da mesma forma como há cem anos, ou há 40 anos, quando ele próprio começou a fazer seus curtas. O discurso de PG centraliza-se em dois pontos. Um – a base do cinema de Hollywood é a narração, com o pé na literatura, e isso é velho. Dois – o futuro do cinema é ser uma arte multimídia, dialogando com as outras mídias. Greenaway insiste que o cinema virou uma arte burra, mas até ele, quando critica Hollywood, diz que não se pode falar em bloco. Há todo um cinemão que mata a imaginação, mas existem – ou existiram – experimentos que foram fundamentais. Tudo o que ele pensa sobre o futuro do cinema está no site Second Life, habitado por um personagem que o persegue. Tulse Luper é seu nome e está na origem do longa que ele fez entre 2002 e 2003, The Tulse Luper Suitcase. O filme de 7 horas de duração está no centro do projeto The Tulse Luper Suitcase, mas é só uma parte. O projeto é muito maior. Tulse Luper é um escritor que esteve em muitas prisões. Ele espalhou 92 malas pelo mundo, contendo toda a informação humana. Em setembro, Greenaway vem mostrar o projeto – o filme, as 92 malas, que serão temas de uma exposição, e uma performance na qual vai atuar como VJ, remixando imagens de Tulse Luper para projeções em telões múltiplos na rua, tudo com muita música, criando um ambiente dançante. Ainda não terminei. Prossigo no próximo post, pois este está ficando longo demais.