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Luiz Carlos Merten

08 Novembro 2006 | 15h54

Ana Luiza Müller, que faz assessoria de imprensa na Videofilmes, me liga para dar as novidades de lançamentos em DVD. A Videofilmes tem feito um trabalho maravilhoso de resgate de grandes documentários e até ficções. Esta última série vai ser enriquecida, nos próximos dias, com o lançamento de São Paulo S.A. do Luiz Sérgio Person, filme do qual gosto tanto que, em 1995, quando não se falava tanto nele, a editora gaúcha Artes e Ofícios me encomendou um livro para comemorar o centenário do cinema e eu escrevi Cinema – Um Zapping de Lumière a Tarantino, escolhendo o clássico do Person para falar do cinema brasileiro. A Videofilmes também vai lançar em DVD a obra restaurada de Joaquim Pedro de Andrade, iniciando a série, em dezembro, com Macunaíma, quando também começará a sair a trilogia de Ana Carolina. Gosto muito da obra da Ana. Revi outro dia, no Canal Brasil, Mar de Rosas e o filme continua ousado e provocador como quando foi feito, acho que em 1977-78. Existem cenas com Cristina Pereira, Norma Bengell, Ary Fontoura e Hugo Carvana – para não falar da Myrian Muniz – que me deixaram besta pelo humor e pela virulência crítica. Mas eu confesso que, como São Paulo S.A., não há. Person teve uma lucidez espantosa ao fazer um filme sobre o processo de industrialização de São Paulo no calor da hora, em plena fase de implantação das grandes montadoras de carros. A coisa toda era muito recente, mas está tudo lá, no filme dele. A engrenagem que tritura o indivíduo, a competitividade, o vazio existencial que virou tema dominante no começo dos anos 60, com a trilogia da solidão e da incomunicabilidade do Antonioni. Gosto muito do Khouri, mas se tivesse de escolher o filme que melhor define São Paulo, para o bem e para o mal, seria o do Person.

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