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Luiz Carlos Merten

15 Agosto 2008 | 09h17

GRAMADO – Não estou conseguindo postar como gostaria, sobre tanta coisa que ocorre neste festival. Ontem emendei o almoço com uma sessão da mostra competitiva de filmes gaúchos, o curta do Bressane sobre Antonioni (‘Encontro em Ferrara’), os curtas da competição e os longas, o latino ‘Cochochi’, que já passou na Mostra de São Paulo do ano passado – um belo filme iraniano feito no México pela empresa de Gael García Bernal e Diego Luna -, e o brasileiro ‘Juventude’, de Domingos Oliveira, que causou verdadeira comoção. Não me lembro de ter visto outro filme ser aplaudido de pé neste festival – talvez (acho) o mexicano ‘Como Água para Chocolate’, há muitos anos. Ainda não tive tempo de falar sobre o impactante filme colombiano ‘Perro Come Perro’, de Carlos Moreno, sobre o mundo do crime de Bogotá. Um sujeito rouba dinheiro de um chefão, que o associa a outro cara que o mesmo chefão, como vingança, está submetendo à bruxaria. Cria-se um confronto violento, à Tarantino – e o filme faz lembrar ‘Cães de Aluguel’ (Reservoir Dogs), mas o roteirista, que aqui está, disse que Carlos (o diretor) não gosta de ‘Pulp Fiction’ e, se tem alguma influência, ela é muito mais a do cineastas de Nova York, Jim Jarmusch e Abel Ferrara. Paula Gaetán, que está aqui em Gramado acompanhando o filho Eryk Rocha – que concorre com o documentário ‘Pachamama’ -, fez uma ponte com a escola de Cáli, com autores que não conheço, um tal de Gallelo, que faria o melhor cinema colombiano. Paula é da Colômbia, e sabe do que está falando. Enfim, gostei bastante de ‘Perro Come Perro’ e até espero que o filme integre a programação do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo, embora eu gostasse mesmo é de vê-lo no circuito comercial. Vi por aqui o Jean-Thomas, da Imovision, mas não o encontrei para fazer a indicação de ‘Perro Come Perro’. Na linha de violência urbana, o filme vai na trilha de ‘Cidade de Deus’, ‘Gomorra’ – do Matteo Garrone, premiado em Cannes, em maio – e dos ‘Amores Perros’ de Iñárritu, mas o que dá personalidade ao filme de Carlos Moreno é a introdução da bruxaria, que vai minando um dos heróis e o outro se contamina, porque também vive um momento de crise. O desfecho é inesperado e maravilhoso. Gostei demais. Mas vamos adiante. Tenho mais sobre o que falar.