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Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2006 | 11h59

The Wind That Shakes the Barley’s, Volver, Luzes da Escuridão. As grandes atrações do Panorama Internacional do Festival do Rio 2006 já começam a ser exibidas. O filme de Ken Loach que ganhou a Palma de Ouro prova que o cinema político e o realismo de cena continuam vivos (e fortes). Michael Haneke diz que o realismo não existe, o que há é um recorte da realidade captado pela câmera e filtrado pelo olhar do diretor. Digamos então que o recorte da realidade de Ken Loach continua urgente e verista, dentro daquele segredo que ele possui de trabalhar com seus atores como se não estivessem atuando, mas vivendo a cena. O novo Pedro Almodóvar é mais um capítulo na afirmação da maturidades desse autor que virou uma rara unanimidade, agradando tanto aos críticos quanto ao grande público. O prêmio coletivo que o júri de Cannes deu às atrizes de Volver (Penelope Cruz e Carmem Maura à frente) confirma que a mulher, como sempre, é o que atrai, estética e dramaturgicamente, o autor espanhol, que é gay de carteirinha. George Cukor, um dos ícones de Almodóvar, também era e forneceu grandes papéis às maiores estrelas de Hollywood. Nisso, Almodóvar e ele são tiro e queda, embora Pedro também seja influenciado pelo heterão Joseph L. Mankiewicz e não apenas o de A Malvada (All about Eve), que deu o título (e o mote) para Tudo sobre Minha Mãe. Luzes na Escuridão pode repetir a estética de O Homem, sem Passado, mas é outro filme muito bonito de Aki Kaurismaki que você também vai ver na Mostra de São Paulo. A Fox distribui Volver no Brasil; Luzes na Escuridão vai ter o selo Pandora no País. Vão estrear depois, em seguida, o que é mais importante.