Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Perfume de mulher

Cultura

Luiz Carlos Merten

20 Maio 2007 | 13h15

CANNES – Estou em estado de graça. Venho do Carlton Hotel, onde entrevistei Javier Bardem e os irmãos Coen. Javier adorou trabalhar com Fernanda Montenegro, que faz a mãe dele em O Amor nos Tempos do Cólera, que Mike Newell adaptou do romance de García Márquez. Javier trabalhou em grandes filmes de Pedro Almodóvar (Carne Trêmula) e Alejando Amenábar (Mar Adentro). Está no próximo filme de Woody Allen. Um cara desses, você acha, requisitado por esses diretores, deve entrar nos projetos de olhos fechados. Ele surpreende – diz que mesmo o maior diretor pode errar a mão e o que segura um filme é, afinal de contas, a história. Woody Allen queria filmar com ele? Ótimo, ele ficou lisonjeado, mas pediu para ler o roteiro. Se não tivesse gostado, jura que não teria feito. Javier está naquela posição de poder escolher. É um grande cara. Meio cavalão, pura testosterona. Se você acha que só mulher gosta desse tipo de homem, está enganado. O que já ouvi de coleguinha da crítica, aqui em Cannes, falando do Javier Bardem e do assassino brutal que ele encarna no novo filme dos irmãos Coen, No Country for Old Men, não está no gibi. Como disse, achei o cara muito legal (os Coen eu já conhecia). Mas choque mesmo tive ao entrar no elevador. Havia uma mulher lá dentro. Perguntei, meio distraído, só para ser gentil, seu andar e, quando ouvi a voz, tive um troço – Anouk Aimée! A atriz de Fellini, de Jacques Démy. Não resisti e puxei conversa. Declarei todo meu amor por Lola. Ela me disse que o filme de Jacques cresceu com o tempo. Anouk Aimée – sentia o perfume dela. Esses momentos roubados é que fazem de Cannes o Olimpo do cinéfilo.