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Luiz Carlos Merten

01 Setembro 2010 | 11h06

Indepentemente da qualidade dos filmes – alguns melhores do que outros -, tenho feito boas entrevistas por telefone, com Isabelle Mergault, François Ozon e Pedro Costa. O autor português ganha retrospectivas no Rio e em São Paulo e na semana que vem estará na cidade para debater sua obra com o público, no Centro Cultural Banco do Brasil. Daqui a pouco, falo com Eli Roth, diretor da série ‘Hostel’ e ator de Tarantino em ‘Bastardos Inglórios’, além de haver dirigido o filme dentro daquele filme, sobre o atirador nazista. A entrevista com Pedro Costa foi ótima e o que está no ‘Caderno 2’ de hoje é só um pedaço, porque não havia mais espaço na edição. Quando falei com Pedro, no domingo, ele estava no seu ateliê, em Lisboa. Atendeu um ‘João’. Perguntei se era seu filho. Ele me explicou que falava da produtora e o garoto é um jovem cineasta que monta seu curta. Pelo que me falou, Pedro Costa deixou subentendido que gosta de apoiar novos talentos e nisso se aproxima de Manoel de Oliveira. Mesmo deixando claro que seu mestre foi António Reis, ele me disse que gostou particularmente do novo Oliveira – ‘O Estranho Caso de Angélica’ -, que não deixa de se inscrever na vertente do espiritismo, em voga no cinema brasileiro atual. Achei divertida a história que reproduzo aqui. Pedro Costa ligou para Oliveira para cumprimentá-lo e o mestre centenário, com humor, lhe disse que se preparasse. Em Portugal, Pedro é chamado de cineasta dos pobres, por sua série de curtas e longas sobre imigrantes cabo-verdianos no bairro de Lagoinhas (‘Ossos’, ‘No Quarto de Vanda’ e ‘Juventude em Marcha’ etc). Oliveira, pelo contrário, é o cineasta dos ricos e o que disse a Pedro Costa é que seu próximo filme será feito na seara dele, com (e sobre) os pobres. Pedro destacou a generosidade de Oliveira. Diz que, aos cento e tantos anos e com uma obra pela frente, ele não perde a oportunidade, em todas as ocasiões, de pedir apoio para o cinema dos jovens e estreantes.