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Luiz Carlos Merten

16 Outubro 2006 | 10h16

Flávia Guerra, minha colega no Caderno 2 (e em rota para se transformar na maior entendida de cinema brasileiro da nova geração), me soprou ontem que O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro, pode ser o grande rival de Cinema, Aspirinas e Urubus, na indicação para o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2006. Ela me disse isso ontem e não tive nem tempo para conversar, porque corri para o cinema (fui rever Dália Negra, para tirar a teima – xô!), mas eu imagino que Labirinto esteja sendo indicado pelo México e a Flávia ache que dois latinos seriam demais, pelo menos do ponto de vista da cabeça dos acadêmicos de Hollywood. Faz sentido. A Espanha indicou Volver, do Almodóvar, que leva jeito de ficar entre os cinco. Sobram quatro vagas – Labirinto ou Cinema, Aspirinas e Urubus? Ponho a maior fé no filme do Marcelo Gomes, porque é um filme brasileiro, de raiz, ousado esteticamente e universal, por sua história de amizade no formato de road movie (que os americanos amam tanto). Mas O Labirinto vai ser uma pedra no caminho. O filme do Del Toro é um dos 114 que integram a seção Perspectiva, na Mostra. Del Toro adora o fantástico – Cronos, Blade 2, Hellboy. Mas o fantástico do Labirinto é mais alegórico, mais político, mais próximo de Espinha do Diabo, no qual ele já atacava o franquismo. Vi O Labirinto em Cannes, não revi no Rio, e gostei. Mas não votaria nele para o Oscar. Continuo com o Marcelo e não abro.