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Luiz Carlos Merten

27 Abril 2011 | 09h53

Sou cabeça dura. Tenho uma senha impossível de decorar, fornecida pela máquina  cheia de números, letras e símbolos visuais, para acessar o blog. Ocorre que, às vezes, principalmente quando estou em lan houses, a janela que abre para essa senha desaparece. Em Porto, chamei até o técnico do hotel para tentar descobrir, naquelas pastas todas, onde tinha ido parar a senha. Sumiu! Como consequência, fiquei sem poder postar. Já ouço alguém perguntando. Mas não era mais fácil mudar a senha? Chega, não aguento mais trocar de senha. Aqui no ‘Estado’, por razões de segurança, sei lá, a gente troca todo mês. E tem a do banco no caixa eletrônico, a do banco na internet. PQP! Enfim, nestes quatro dias que fiquei sem postar logicamente não acessei os comentáriuos. Encontrei dois que me interessaram bastante. Régis me pede para falar sobre ‘Cidadão Klein’. Mais até do que ‘Entrevista com a Morte’, ‘Eva’ ou ‘O Mensageiro do Amor’, é o meu Losey preferido, o do coração. Alain Delon é genial, Jeanne Moreau idem e o filme é o que melhor coloca na tela os labirintos de Jorge Luis Borges, mesmo não sendo adaptado do genial escritor. Vou encarar o desafio de escrever aqui sobre ‘M. Klein’ – e a propoósito, por que? O filme saiu em DVD? Caio também me pede um texto sobre os policiais da fase final de René Clément. Um dos diretores mais premiados da história de Cannes, Clément é autor de uma obra de prestígio que, infelizmente, envelheceu bastante. Alguns de seus grandes filmes, ou assim considerados, são hoje insuportáveis. Da fase final, ‘Paris Está em Chamas?’, com Delon no papel de Jacques Chaban-Delmas, beira o ridículo – ‘Cahiers du Cinéma’ dizia que Clément queria ser o diretor oficial da Quinta República -, mas Delon é genial em ‘O Sol por Testemunha’ e eu sempre tenho muito prazer em rever ‘O Passageiro da Chuva’, com Charles Bronson e a mãe de Eva Green, Marlène Jobert, que faz aquela personagem fascinante, Mélancolie. Tenho menos simpatia por ‘A Mansão sob as Árvores’, ‘O Homem Que Surgiu de Repente’ (apesar de Robert Ryan) e ‘Babysitter’, mas acho que Clément foi fundamental para a evolução da carreira de Delon. Enquanto meu amado Visconti buscava a pureza do rosto do ator para esculpir o personagem de Rocco, Clément percebeu a dureza das linhas daquele rosto e, antecipando-se ao Jean-Pierre Melville de ‘O Samurai’, fez de Delon o Tom Ripley que a própria ‘mãe’ do personagem, a escritora Patricia Highsmith, preferia. Pode aguardar, Caio, que eu também vou voltar aos policiais do Clément.