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Cultura » Paul Rudd, Alan Alda e as razões do meu afeto

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Luiz Carlos Merten

10 Outubro 2007 | 09h52

Meu editor, Dib Carneiro Neto, foi ontem ver ‘Nunca É tarde para Amar’ com a Jussara Guedes, a diagramadora que faz as belas capas do Caderno 2. Tinha dito para eles que o filme era simpático e que a canção anti-Bush do desfecho era ótima. Enquanto eles viam o filme de Amy Heckerling no Arteplex, eu via em outra sala ‘Um Morto no Funeral’, que é ‘quase’ bom (e tem cenas muito engraçadas). Na saída, Dib tirou o maior sarro – disse que eu não entendo nada de comédia romântica. Para início de conversa, me disse ele, ‘Nunca É Tarde’ nem é comédia romântica (nisso, concordo) e sim, agora sou eu que acrescento, mais uma tentativa de Amy Heckerling de falar de picardias familiares (e geracionais). Dei uma olhada nos comentários e li que alguém acha o Paul Rudd excelente. Não tenho muitos argumentos para dizer que também gosto, pois não acompanho a carreira do cara, mas acho que ele está muito legal em ‘A Razão do Meu Afeto’, como o professor gay que a Jennifer Aniston acolhe na casa dela e os dois iniciam uma relação complicada. Independentemente de ser comédia romântica ou não – seria, ou é, uma ‘romantic comedy’ pouco convencional, mas isso ‘Nunca É Tarde’ também é –, quero dizer que ‘A Razão do Meu Afeto’, de Nicholas Hytner, é um filme que não me canso de rever. Às vezes, estou zapeando na TV paga e lá estão o Paul Rudd e a Jennifer Aniston. Engato na hora – deve ser o filme a que já assisti mais vezes, por partes. Me encanta especialmente o elenco de apoio – Nigel Hawthorne e Alan Alda. Aliás, sobre este último quero dizer que lançou um livro cujo título, traduzido, seria ‘O que Eu Aprendi enquanto Pensava em Voz Alta’. Acaba de sair nos EUA e eu me arrependo de não haver comprado. Vi uma entrevista de Alda na TV americana e ele falava coisas muito interessantes sobre Altman, a série ‘MASH’, a arte de representar – que acha que deve ser minimalista – e os filmes que dirigiu. Particularmente, gosto de dois – ‘As Quatro Estações do Amor’ e ‘O Casamento de Betsy’, que têm alguma ressonância com o cinema de Woody Allen. Há nos dois o mesmo gosto por personagens intelectualizados e neuróticos das classes altas, às voltas com dilemas amorosos e existenciais. Claro, Woody Allen é autor, Alan Alda é ator. Mas é bom. Eu acho.