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Luiz Carlos Merten

22 Novembro 2009 | 14h36

Ao validar o comentário do Mário Kawai no post ‘É proibido (ou não?) fumar?’, fiquei pensando com meus botões. A lei antifumo é estadual, me lembra o Mário. Ou eu me engano ou não me equivoquei, dizendo que era municipal. Busquei, talvez, uma certa ironia – a lei é do Serra e eu até hoje não consegui desvincular o Kassab dele, sorry. São do mesmo partido etc e tal. Tergiverso um pouco. Antônio Fagundes ficaria dando suas baforadas na cara do Serra, se estivesse na plateia? A peça não está sendo o sucesso esperado. Uma polêmica dessas até poderia ajudar, quem sabe. Mas, chega, quero falar sobre Paul Wendkos. Paul quem? Fiz a breve para a edição de amanhã do ‘Caqderno 2’. Morreu o diretor de 84 anos, de complicações provocadas por uma trombose. Confesso que tinha certo carinho por ele. Jean Tulard lembra, no ‘Dicionário de Cinema’, que Wendkos veio do teatro de vanguarda e do documentário. Foi diretor de TV e cinema. A estreia foi com ‘Honra de Ladrão’, adaptado de David Goodis, um bom filme, até onde me lembro, com Dan Dureya e Jayne Mansfield. Wendkos parecia bom, mas aí fez ‘Maldosamente Ingênua’, com Sandra Dee como ‘Gidget’, e o bom e velho P.F. Gastal, em Porto, perdeu suas esperanças em Wendkos. Dizia que era ‘malogrado’. Concordaria com ele se, em 1971, depois de virar ‘faz tudo’ – inclusive incursionando pela série dos ‘Magnificent Seven’, com ‘A Revolta dos Sete Homens’ -, Wendkos não tivesse assinado ‘Balada para Satã’. Nunca falei para vocês deste filme? A produção era de 1971, da Fox. Alan Alda faz o jornalista que se envolve com o pianista Curt Jurgens, que vendeu sua alma ao Diabo. Não por acaso, o título original é ‘The Mephisto Waltz’. A volta de ‘Fausto’. Lembro-me de que, sob uma aparência elegante, ‘Balada’ tinha momentos verdadeiramente assustadores. Mas o que me fascinava era o erotismo. Era muito mais jovem, sugestionável (ainda). Barbara Parkins virou uma das minhas fantasias eróticas, e olhem que o filme também tem Jacqueline Bisset. Mas a Barbara… Paul Wendkos penitenciou-se de ‘Gidget’ criando aquela diabinha sexy.