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Luiz Carlos Merten

22 Março 2010 | 14h10

Olá! Tive um fim de semana bastante teatral, mas isso não me impediu de ver também alguns filmes. Começo pelo que não vi. Sábado pela manhã, acrescentei alguns posts e terminei omitindo um sobre ‘Os Idiotas’, de Lars Von Trier, que passou na programação que o Cineclube do Espaço Unibanco dedica ao diretor dinamarquês em março. Lembro-me do auê que ‘Os Idiotas’ provocou em Cannes. Von Trier, liderando os monges-cineastas de seu país, lançava o Dogma. Nenhum efeito – mas ele confessou que, na cena do sexo explícito, para evitar constrangimentos a seus atores, o detalhe da penetração foi feito com profissionais do ramo. Confesso que o detalhe sempre me perturbou. Nagisa Oshima foi até o fim com seus atores em ‘O Império dos Sentidos’, já o Dogma de Von Trier é relativo. Radicaliza em algumas coisas e flexibiliza-se em outras. Tem a ver com o calvinismo dinamarquês, que Carl Theodor Dreyer expressou tão bem na tela? Não estou criticando Von Trier. Até agora ainda não me recuperei do choque de ‘Anticristo’. P… filme! Só estou tentando entender como esse mundo da arte pode ser ambivalente (como o mundo ‘real’ que os autores gostam de criticar.) Não vi ‘Os Idiotas’, mas vi ‘Criação’. Havia entrevistado Paul Bettany em Los Angeles, a propósito de ‘Legion’ (Legião), em que ele faz o arcanjo Miguel armado de metralhadora. ‘Legião’ não vai mais ser lançado em cinema. A Sony decidiu colocá-lo diretamente no DVD, o que me causou certo desconcerto. Lembro-me que alguém me comentou que as primeiras imagens de ‘Legião’, quando divulgadas na internet, bateram não sei que recorde, inclusive no Brasil. Naquela feira de comics em San Diego, o filme também virou o maior ti-ti-ti. Para plateias normais – uso normais no sentido de comuns –, não funcionou. Para estimular certa curiosidade, quero dizer que ‘Legion’ tem uma cena que merece entrar para o Guinness dos momentos mais assustadores do cinema. Sou suscetível, reconheço – o anticrítico –, mas o pulo que dei na poltrona, na tal cena, foi talvez excessivo, até para os meus padrões. Ave Maria! Como Bettany havia falado da mulher, Jennifer Connelly, e até lembrado que seu personagem de naturalista em ‘O Mestre dos Mares’ já antecipava Charles Darwin, resolvi dar a entrevista com a crítica de ‘Criação’, no ‘Caderno 2’ de hoje. Foi curioso. Havia pouquíssima gente para ver ‘Criação’ no sábado à tarde, no Unibanco Arteplex. As filas eram todas para Sandra Bullock e seu Oscar em ‘Um Sonho Possível’. Me comentaram que a ‘Folha’ deu péssimo para o filme de John Lee Hancock. Quis saber quem escreveu. Foi o mesmo cara que achou ‘A Ilha do Medo’ o maior filme de Scorsese. Ah, bom, está explicado. Como é que diz Suzana Amaral em sua crítica vapt-vupt – ‘Quem é louco? Eu? Você? Todos nós?’ Realmente… De volta a ‘Criação’, gostaria que houvesse mais gente vendo o longa de Jon Amiel. Particularmente, achei-o muito sensível e bonito e o casal Bettany/Connelly, revivendo o outro casal, Darwin/Emma, me deixou siderado. Vi também filmes em DVD e na TV paga no fim de semana, mas o próximo post será sobre teatro.