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Luiz Carlos Merten

06 Julho 2007 | 15h59

Alguém já me cobrou outro dia uma crítica sobre Paris te Amo. Gostei, e nisso não vai nenhuma originalidade. Todo mundo com quem tenho falado gosta do filme, que é, claro, irregular, como toda produção em esquetes. Ocorre que os bons superam, e muito, um ou outro ruim e os muito bons, então, tocam o sublime. Adorei o episódio de Walter Salles e Daniela Thomas, Longe do 16º, que carrega uma ironia muito fina. O 16ème, como se diz, é o distrito chique de Paris, mas só aparece no fim, porque, na maior parte do tempo, Catalina Sandino Moreno está em deslocamento – caminhando, andando de ônibus ou metrô – para chegar nesta casa em que trabalha de babá, cantando para o filho dos outros a cançãso que não consegue embalar seu filho, já que ela precisa deixar a criança num berçário antes de iniciar a luta de cada dia. Achei tão bonito quanto triste. Este Waltinho é f… Filho de banqueiro, finérrimo e sempre tão preocupado com os humildes e os excluídos. Sinceramente preocupado, e não para fazer marketing social, é bom acrescentar. Gostei dos episódios do Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin com Gena Rowlandas, do de Nobuhiro Suwa com Juliette Binoche, do de Wes Craven sobre o Père Lachaise (que nunca visitei, embora já tenha ido a Paris diversas vezes, em geral indo ou voltando de festivais europeus), do de Bruno Podalydès sobre o cara que quer estacionar e do de Gurinder Chadha sobre a atração de um garoto francês por uma menina de véu, no encontro de duas culturas. Para dizer a verdade, só não gostei mesmo do de Vincenzo Natali com Elijah Wood e também não embarquei nas viagens de Gus Van Sant e Christopher Doyle, que não me disseram nada. Mas quero falar sobre outra coisa, que vai ficar para o post seguinte, antes que me digam que o atual está muito longo.