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Luiz Carlos Merten

05 Fevereiro 2009 | 13h24

BERLIM – Preciso fa’Paris la Belle’lar um pouco sobre minha terça-feira em Paris. Não tive tempo de postar nada, mas não foi por falta do que contar. Vi uma exposição maravilhosa, ‘Paris la Belle’, sobre os múltiplois talentos de Jacques Prévert. Poeta, roteirista, ator, pintor, músico, o legado de Prévert é muito mais rico do que imaginava. Para os cinéfilos, ele será sempre o parceiro, o cúmplice, de Msarcel Carné em ‘O Bulevard do Crime’, mas seu legado é muito maior. Sua ligação com os surrealistas e o grupo revolucionário Outubro (de teatro) foram, para mim, revelações muito interessantes. ‘Prévert e o Cinema’ merece um capítulo especial e eu fiquei quase uma hora vendo e revendo cenas de filmes que fazem parte da história do cinema francês e mundial. Gosto de ver esses extratos de filmes. Às vezes, fora de contexto, filmes podem analisados de forma mais ‘fria’, ou ‘técnica’, e a gente consegue ver detalhes que a emoção muitas vezes deixa passar. Mas o que me encantou em definitivo foi, foram, no plural, o Prévert compositor e o artista visual, amigo de Calder e Picasso. Havia um bloco da exposição só sobre ‘Folhas Mortas’, letra de Prévert, música de Joseph Kosma, com Yves Montand, Nat King Cole e Juliette Gréco. Ver a existencialista Juliette cantar ‘Feuilles Mortes’ para mim foi uma revelação. Havia visto um pouquinho da minissérie ‘Maísa’ antes de sair do Brasil. Maísa era rica, era chique, tinha cultura, formação européia etc. Vendo a Juliette cantar as folhas mortas, levadas pelo vento, me deu a impressão de ver a gênese – cênica – da Maísa de ‘Meu Mundo Caiu’. Estava em êxtase quando entrei na última etapa da exposição, após o Prévert, autor para crianças. Prévert dizia que Picasso era um cineasta que não sabia filmar. Picasso retrucava dizendo que ele era um pintor que não sabia pintar. Os quadros de Prévert – a maioria, colagens – foram precedidos por um desenho (é fusô que se diz, não?) de Picasso sobre Jacques. Olhos caídos, aquele cigarro sempre na extremidade da boca. A capacidade que tinha o Picasso de captar a essência das pessoas não era pouca coisa. Que gênio! E que gênio o próprio Prévert…