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Paradoxos do tempo

Luiz Carlos Merten

18 Abril 2017 | 09h31

De volta a São Paulo. Fui ontem no final da tarde ao cinema, em Ouro Preto. O Cine Teatro Vila Rica abriga sessões do Cine OP, evento da Universo Produção dedicado ao cinema de arquivo. Assisti – sessão gratuita – a O Predestinado, dos irmãos australianos Peter e Michael Spierig. É uma adaptação de Robert A. Heinlein, talvez o mais polêmico dos grandes escritores de ficção científica, autor de Tropas Estelares (que Paul Verhoeven filmou) e Um Estranho Numa Terra Estranha (que acaba de ser reeditado no Brasil). Mais que um viajante do tempo, Heinlein é atraído pelo estranhamento desses personagens sozinhos perante o enigma do universo. O garoto integra-se às tropas que vão combater os ETs, insetos gigantescos. O estranho, primeiro terráqueo nascido em Marte, volta à Terra e não se sente mais parte da espécie humana. Nos anos 1960, 70, Heinlein era considerado fascista. Nesse momento de recrudescimento conservador, faz todo sentido que esteja voltando. O Predestinado baseia-se numa história dele de 1959, All You Zombies, sobre um cara que, graças a um paradoxo do tempo, é também seu pai e sua mãe. Na versão dos Spierigs, Ethan Hawke consegue ser quatro personagens. Um agente temporal que caça terrorista e ele pode ser o próprio, uma garota que vira homem e as duas versões dela, a masculina e a feminina, apaixonam-se. Achei tudo isso meio excessivo, mas muito interessante, agora que se discutem os gêneros. Só que, por mais que tenha pensado no paradoxo, ou círculo, do tempo, as coisas não fecharam. Sempre fica algum fio solto, mas é o que dá tentar racionalizar, e pensar realisticamente, sobre o que é ‘fantástico’. Não sei como nem por quê perdi o filme nos cinemas. Fui pesquisar e vi que estreou num fevereiro, 2015 ou 14. Devia estar em Berlim, portanto. Sei que gostei de ter visto o filme. E Sarah Snook, que contracena com Ethan Hawke… Sua versão masculina virou o Leonardo DiCaprio, sem tirar nem pôr. Leo! Aquele narizinho de moça dele me derruba, ou o derruba. É bom ator, mas fica com aquela cara de bebezão. Cada vez que Sarah aparecia em corpo de homem lá vinha o DiCaprio no meu imaginário…