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Parabéns, xerife!

Luiz Carlos Merten

31 Maio 2015 | 06h53

ROMA – Arrastei ontem o Dib para ver Tomorrowland, logo ele, o pobre, que detesta fantasias. Mas havia lido que Brad Bird, cooptado para fazer o novo Star Wars, abriu mão porque O Mundo do Futuro era um projeto dele, do qual não pretendia desistir, por nada. Brad Bird! Como em Missão Impossível – Protocolo Fantasma, o tema é a reconstrução – da agência lá, do mundo aqui. E como em Ratatouille, Paris, a Torre Eiffell, é decisiva numa cena-chave. Diverti-me muito e, na volta para o hotel, caímos numa festa de Hare Krishna – Hare Hare! Hare Rama! Rama Rama! Nada como tomar um trago no fim de tarde, na Piazza del Popolo vendo o mundo passar. Mas, esperem, esse sujeito de muletas não é o Lambert Wilson? E não foi Lambert Wilson, impecável em seu black-tie, o apresentador do recente Festival de Cannes? O que ocorreu com ele para estar agora desse jeito? Paris é uma festa e, para o cinéfilo que sou, é um lugar de sonho, mas Roma possui uma magia especial. O peso da história, que está em toda a parte. Em algum lugar, no Largo Marcello Mastroianni, há um evento que celebra a Bulgária e seu cinema. Tenho de ir bater ponto. E quero que o Dib conheça o Nuovo Cine Sacher de Nanni Moretti, mesmo que tenha de rever Mia Madre. Fomos ontem à basílica de São Pedro. A Pìetà! A primeira vez que a vi o contato era mais próximo. Não havia o vidro blindado para proteger a escultura de lunáticos como aquele que a atacou a marteladas. Em Cinecittà, havia ‘trocentos’ livros de cinema que gostaria de ter comprado. O peso, muito mais que o preço, me levou a optar por dois. Uma história da ‘cidade do cinema’, Magia sem Fim, com a foto de Federico Fellini (quem mais?) na capa. E C’Era Una Volta in Italia, Il Cinema de Sergio Leone, de Christopher Frayling, editado pela Cineteca de Bologna. Entre muitos depoimentos sobre o diretor, o de Clint Eastwood – que hoje completa 85 anos. “Creio que mudamos o estilo, a forma de encarar o western. Sergio o ‘operalizou’, se é que se pode dizer assim. Usando sempre o mesmo compositor (Ennio Morricone) criou trilhas como nunca se haviam feito para o gênero. Não creio que as histórias fossem melhores. Talvez fossem menos boas. Eram fragmentadas, seguiam, o protagonista através de muitos episódios breves. Mas aqueles filmes possuíam um look e um estilo diferentes para a época.” Há 50 anos, avalia Clint, um saco dei registi mais antigos não faziam mais bons filmes e os westerns haviam deixado de ser especiais. Sérgio preencheu o vazio. E depois – ele conta – quando era bambino e ia muito ao cinema para ver bangue-bangues, não sabia quem Howard Hawks. Ia para ver os filmes de John Wayne. Anos mais tarde, Clint ganhou o primeiro Oscar por Os Imperdoáveis, de 1992, que dedicou a Sergio (Leone) e a Don (Siegel), seus dois mestres. Estou misturando tudo – Brad Bird, a cidade do cinema, Clint. Os 120 anos do cinema, os 85 de Clint. Nada me deu mais prazer do que ler em Transfuge a crítica de ‘esquerda’ de American Sniper como um grande Clint (o maior?). Andava meio reticente com ele. American Sniper devolveu-me o ‘meu’ Clint. Parabéns, xerife!