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Luiz Carlos Merten

21 Agosto 2007 | 10h50

Só hoje, de volta à redação, pude ler com calma os comentários feitos por vocês enquanto eu estava em Gramado. Queria corrigir o lance do Primo Basílio. Falei naquele mesmo dia com a produtora Walkíria Barbosa e ela me confirmou o que vocês já sabem, pois houve um comentário esclarecedor. O filme fez um pouco mais de 200 mil espectadores na primeira semana e a previsão é de chegue a 1 milhão. Daniel Filho, de qualquer maneira, está bem na fita. Confesso que fui maquiavélico – quando postei o texto sobre a fotografia, coloquei o top five (até no Oscar) de forma muito calculada, só para ver se haveria alguma reação. Na verdade, ia postar que os grandes festivais – Cannes,Veneza, Berlim – ignoram todos esses setores técnico-artísticos. O melhor filme, para eles, já deve englobar melhor fotografia, direção de arte etc, poprque é muito rara uma menção à fotografia de qualquer filme nesses mega-eventos de cinema, o que, evidentemente, não tira o mérito de Greg Tolland, Raoul Coutard, Dib Lutfi, Afonso Beato nem qualquer outro grande diretor de fotografia que vocês queiram citar. Mas parabéns a Rita pela indignação. Fábio Negro me pede que comente os 71 anos de Robert Redford. É engraçado, mas, do ponto de vista do interesse jornalístico, é importante que o cara faça 70 anos, ou 75, ou 80. Tem de ser data redonda – 71 a gente não comemora. Como todo mundo, devo grandes emoções a Redford, que interpretou filmes que se tornaram clássicos. Acho que ele é genial como o fugitivo de Caçada Humana, de Arthur Penn, e como o Sundance Kid, no western de George Roy Hill, Butch Cassidy, mas o meu Redford favorito é o Jeremiah Johnson de Mais Forte Que a Vingança, de Sydney Pollack. O Sundance, de qualquer maneira, marcou tanto que ele escolheu este nome para o instituto que criou no Utah, onde foi filmado Jeremiah Johnson, para promover a produção independente. Saiu um livro nos EUA, mas eu não li. É demolidor, mais que simplesmente desmistificador, do Redford e do próprio Sundance Institute e do Sundance Festival, que teriam criado um modelo ‘mainstream’ de cinema independente, feito por jovens talentosos que buscam uma forma de acesso a Hollywood. Mas eu tenho grande carinho por Redford. Gosto do estilo de representar dele, aquela coisa minimal, contida, que termina por explodir em cenas fortes, de muita intensidade. Este estilo de representar ele levou para a direção de seu melhor filme, Gente como a Gente, que ganhou o Oscar (e no qual Mary Tyler Moore tem, para mim, uma das maiores interpretações da história do cinema). Sobre a oficina de roteiro do Sesc Rio… Vamos ao post seguinte.