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Luiz Carlos Merten

27 Abril 2007 | 13h31

RECIFE – Falar sobre Bruno Dumont requer mais tempo e eu prometo fazê-lo em seguida. As respostas para o Caio e o Felipe são mais fáceis. O DVD de Amantes Constantes sai em setembro pela Imovision, que tem selo próprio e já lançou outros filmes de sua marca, como Casa Vazia, do Kim Ki-duk, que me deixou siderado na primeira vez em que o vi, acho que na Mostra de 2005. Gosto demais do diretor coreano, mas também teria de falar muito mais longamente sobre ele (e seu método). Tentei checar a informação, mas não consegui saber se o filme do Philipe Garrel sai repleto de extras, mas, sinceramente, espero que sim. Aliás, neste diário íntimo em que volta e meia transformo o blog, não sei se já comentei uma coisa. Louis Garrel, filho do diretor Philippe, é o protagonista de Amantes Constantes, que reconstitui as experiências de seu pai em Maio de 68, aquele ano que não termina nunca, pelo menos para sonhadores que uma vez quiseram mudar o mundo (e ainda não desistiram – um outro mundo tem de ser possível, vai ser, senão hoje no futuro). Louis também é ator (com Eva Green e Michael Pitt) de Os Sonhadores, outro filme em que o Bernardo Bertolucci também faz sua revisão daquele maio. Para vocês verem como eu viajo no blog, estou fazendo todas essas ligações para chegar a outro filme do Bertolucci, Beleza Roubada, no qual parece que ele vai enterrar 68 na cena da morte do Jeremy Irons, mas o tema forte voltou na sua obra. Pronto! Cheguei aonde queria, a Beleza Roubada. Tive um choque quando vi este filme pela primeira vez, em Cannes. Ninguém gostou muito – acho que, até hoje, só Bertolucci e eu gostamos -, mas foi, confesso, uma vertigem muito pessoal. Liv Tyler estreava no cinema. Achei-a deslumbrante e, se vocês se lembram, sua personagem chama-se Lucy, o que remeteu à minha filha Lúcia, que, além do mais, é bonita como Liv (juro!). Contei para Bertolucci desse sentimento visceral que o filme dele me provocou, numa entrevista por telefone, e ele foi muito simpático. Pediu que eu desse um beijo na Lúcia, por ele. Ave Maria! Vou chorar, ou pelo menos perder o rumo. Stop, parando! Para o Felipe. Diz-se de um filme que é coral quando ele dá voz a múltiplos personagens, como se fosse um coro. O roteiro coral tem o mesmo significado, ou pelo menos escrevi pensando assim.